
O Modo de Vida de Jesus Cristo
1. O nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo
Jesus nasceu em Belém, a cidade de Davi. Isso cumpre as profecias messiânicas que o chamavam de “Filho de Davi”.
O nome Belém significa “Casa do Pão”: é um sinal claro de que Cristo veio para ser o Pão da Vida, alimento das nossas almas.
Ele nasceu na plenitude dos tempos (Gl 4,4), quando o mundo estava unificado sob o Império Romano, o que facilitou a propagação da fé.
A corrupção moral, tanto entre pagãos quanto entre judeus, clamava pela vinda de um Salvador.
Bíblia: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35).
CIC: “Jesus nasceu na humildade de um estábulo, de uma família pobre; em Belém, cidade davídica” (CIC 525).
2. O Batismo do Senhor
Jesus foi batizado por São João no Jordão, mas esse batismo era apenas um rito preparatório, não o sacramento instituído por Cristo.
O batismo de João era um sinal de arrependimento, enquanto o Batismo cristão purifica do pecado original, faz-nos filhos de Deus e membros da Igreja.
Cristo recebeu esse batismo por três motivos:
Confirmar a missão de João Batista.
Santificar as águas, preparando-as para serem matéria do sacramento.
Dar exemplo de humildade.
Bíblia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).
CIC: “O batismo de Jesus é a aceitação e inauguração de sua missão como Servo sofredor” (CIC 536).
3. O modo de vida de Cristo: vida mista, entre os homens
Jesus viveu 30 anos de vida oculta em Nazaré, submisso a Maria e José, ensinando-nos que a santidade está em cumprir a vontade de Deus nas coisas simples.
Sua vida pública foi marcada pela vida mista: oração e contemplação unidas à ação apostólica.
A vida contemplativa é mais perfeita que a ativa, mas a vida mista é a mais excelente, pois da contemplação brota a ação.
Cristo pregava, mas também se retirava para orar, mostrando que é preciso unir ação e contemplação.
Bíblia: “Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10,42).
CIC: “Toda a vida de Cristo é ensinamento. Seus silêncios, seus milagres, seus gestos, sua oração, seu amor ao homem…” (CIC 561).
4. A tentação de Nosso Senhor Jesus Cristo
Jesus foi tentado no deserto, mas suas tentações foram apenas externas, sem qualquer inclinação interior ao mal, pois Ele é o Santo de Deus.
Três tentações principais:
Transformar pedras em pão → tentação da gula.
Lançar-se do pináculo do templo → tentação da vanglória.
Adorar Satanás para receber os reinos → tentação da idolatria.
Com isso, Cristo nos deu exemplo de como vencer as tentações: oração, penitência e uso da Palavra de Deus.
Ele quis ser tentado para:
Ensinar-nos que ninguém está isento das tentações.
Ensinar o modo de vencê-las.
Dar confiança em sua misericórdia, pois conhece nossas lutas.
Bíblia: “Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4,1).
CIC: “A tentação de Jesus manifesta o modo de sua missão messiânica: venceu o tentador em favor de nós” (CIC 539).
5. O ensinamento de Cristo
a) Começo pelos judeus
Cristo iniciou sua pregação entre os judeus, para:
Mostrar o cumprimento das promessas feitas a Israel.
Proceder com ordem, pois os judeus eram o povo eleito.
Tirar deles todo pretexto de acusação.
b) Fustigação dos escribas e fariseus
Jesus os criticou com firmeza, apesar do escândalo que causava, porque o bem comum exigia denunciar seus erros e hipocrisia.
Se permanecesse em silêncio, sua doutrina ficaria comprometida.
c) Parábolas
Cristo ensinava em parábolas por justiça e misericórdia:
Justiça: não dar “pérolas aos porcos” (Mt 7,6).
Misericórdia: quem recusava não ficava tão culpado, pois não rejeitava de forma tão direta a verdade.
d) Ensino oral
Cristo não deixou nada escrito:
Para que sua doutrina não fosse reduzida apenas ao que estivesse num livro.
Para confiar a transmissão da fé à Tradição e aos Apóstolos.
Para gravar a verdade não em livros, mas nos corações.
Bíblia: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16).
CIC: “A transmissão viva, realizada no Espírito Santo, é chamada Tradição” (CIC 78).
6. Os milagres de Nosso Senhor
Os milagres confirmam a missão divina de Cristo e a verdade de sua doutrina.
Principais tipos de milagres:
Sobre os espíritos: expulsão dos demônios.
Sobre os corpos: curas de cegos, paralíticos, leprosos, ressurreições (Lázaro, filho da viúva de Naim, filha de Jairo).
Sobre a natureza: multiplicação dos pães, calmaria da tempestade, transformação da água em vinho.
Sobre realidades inanimadas: figueira seca, moeda no peixe, véu do templo rasgado.
O milagre supremo é a Ressurreição, que prova sua divindade.
Bíblia: “Se não faço as obras de meu Pai, não creiais em mim. Mas se as faço, crede nas obras” (Jo 10,37-38).
CIC: “Os milagres de Jesus são sinais que convidam à fé n’Ele” (CIC 548).
7. A Transfiguração de Cristo
Aconteceu diante de Pedro, Tiago e João no Monte Tabor.
Cristo deixou transparecer a glória que possuía desde sua concepção, mas que não havia manifestado.
Motivos:
Fortalecer a fé dos Apóstolos diante da Paixão.
Mostrar antecipadamente a glória da Ressurreição.
Confirmar que Ele é o Messias esperado, com a presença de Moisés e Elias.
Na Transfiguração, o Pai, o Filho e o Espírito Santo se manifestam:
O Pai pela voz.
O Filho transfigurado.
O Espírito na nuvem luminosa.
Bíblia: “Este é o meu Filho amado, no qual pus toda a minha complacência: escutai-o” (Mt 17,5).
CIC: “A Transfiguração antecipa a Ressurreição de Jesus e a sua vinda gloriosa” (CIC 556).
Conclusão
Nesta aula vimos:
O nascimento humilde de Cristo, em Belém, “Casa do Pão”.
O batismo no Jordão e sua diferença do sacramento do Batismo.
O modo de vida de Jesus: vida mista, ativa e contemplativa.
As tentações no deserto e seu significado para nós.
O ensinamento de Cristo: começando pelos judeus, combatendo erros, usando parábolas e transmitindo oralmente.
Os milagres que confirmam sua divindade.
A Transfiguração como antecipação da glória eterna.
