
Cristo Nosso Senhor e Maria Santíssima
1. O Verbo Encarnado
No segundo artigo do Credo professamos: “Em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor”.
Jesus Cristo é o Verbo Encarnado, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que assumiu a natureza humana para nos salvar.
Ele é gerado do Pai “por via de inteligência” desde toda a eternidade. Isso significa que o Filho procede do Pai como o Verbo eterno, o Pensamento perfeito.
Quanto à sua humanidade, foi formada no tempo, no seio da Virgem Maria, em Nazaré, por obra do Espírito Santo.
🔹 Jesus é Filho Unigênito: só Ele é Filho por natureza. Nós, pelo batismo, nos tornamos filhos adotivos, participando da vida divina pela graça santificante, mas sem jamais nos tornarmos “deuses por natureza”.
Bíblia: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).
CIC: “O Filho de Deus, trabalhando com mãos de homem, pensando com inteligência de homem, agindo com vontade de homem, amando com coração de homem, nasceu da Virgem Maria, tornando-se verdadeiramente um de nós, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (CIC 470).
2. Duas naturezas, uma só pessoa
Cristo possui duas naturezas reais e completas: a divina e a humana.
Essas naturezas se unem em uma só Pessoa, a Pessoa divina do Verbo.
Não existe em Cristo uma “pessoa humana”. Falar em “pessoa humana de Cristo” é heresia.
Essa verdade foi definida no Concílio de Calcedônia (451): duas naturezas, unidas sem confusão e sem separação, em uma só Pessoa.
Exemplo de comparação:
Na Trindade: uma só natureza em três Pessoas.
Em Cristo: duas naturezas em uma só Pessoa.
Bíblia: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9).
CIC: “A natureza humana de Cristo pertence pessoalmente ao Filho de Deus e está por isso privada de uma própria pessoa” (CIC 468).
3. União Hipostática
Essa união das duas naturezas em uma só Pessoa é chamada União Hipostática (hypóstasis = pessoa, em grego).
Desde o primeiro instante da concepção no seio de Maria, a natureza humana de Cristo foi assumida pelo Verbo.
Não houve nenhuma mudança em Deus: o Verbo permanece imutável.
A natureza humana foi elevada e unida ao Verbo, mas o Verbo não sofreu alteração alguma.
🔹 Erro a evitar: pensar que a Encarnação modificou o Verbo divino. Isso é impossível, porque Deus é imutável (cf. Tg 1,17).
Bíblia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1,23).
CIC: “O Filho de Deus uniu-se, de certo modo, a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano” (CIC 470).
4. Significado de Jesus e de Cristo
Jesus significa Salvador. Foi o nome dado por Deus por meio do Arcanjo Gabriel (Lc 1,31) e confirmado em sonho a São José (Mt 1,21).
Cristo significa Ungido (Messias).
No Antigo Testamento, eram ungidos reis, sacerdotes e profetas.
Cristo reúne em si os três ofícios:
Rei dos reis (Ap 19,16), que governa todos os povos.
Sumo Sacerdote (Hb 4,14), que oferece a Si mesmo em sacrifício.
Profeta (Dt 18,18; Jo 7,40), que anuncia e cumpre a Verdade de Deus.
🔹 Mas Cristo não foi ungido com óleo material: sua “unção” é a união da natureza humana com a divina, desde o primeiro instante da Encarnação.
CIC: “Jesus é chamado ‘Cristo’ porque foi consagrado pelo Espírito Santo e porque é Ele o Messias esperado” (CIC 436).
5. Jesus verdadeiro Messias e verdadeiro Redentor: provas
Jesus provou ser o verdadeiro Messias e Redentor de dois modos principais:
a) Cumprimento das profecias do Antigo Testamento
Da tribo de Judá e da família de Davi (2Sm 7,12-13; Mq 5,1).
Nascido em Belém (Mq 5,1).
Paixão descrita em detalhes por Isaías (Is 53).
Ressurreição anunciada (Sl 16,10).
Reino universal (Sl 72,8).
Também as figuras do Antigo Testamento apontam para Ele:
Isaac carregando a madeira do sacrifício (Gn 22).
O cordeiro pascal cujo sangue livrou da morte (Ex 12,13).
A serpente de bronze levantada por Moisés (Nm 21,9; Jo 3,14-15).
Jonas no ventre do peixe (Jn 2,1; Mt 12,40).
b) Milagres e autoridade divina
Realizou milagres verdadeiros: curas, ressurreições, domínio sobre a natureza.
Perdoou pecados (Mc 2,10).
Se declarou Deus: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); “Antes que Abraão fosse, Eu sou” (Jo 8,58).
CIC: “Os milagres de Cristo são sinais que confirmam que Ele é o Messias esperado” (CIC 547).
6. Nossa Senhora, Mãe de Deus
Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos), porque gerou em sua carne a Pessoa de Cristo, que é Deus e homem.
Essa verdade foi definida solenemente no Concílio de Éfeso (431) contra o nestorianismo.
Não é apenas “mãe da natureza humana de Cristo”, mas da Pessoa divina do Verbo encarnado.
Bíblia: “Donde me é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1,43).
CIC: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois gerou segundo a carne o Filho eterno do Pai” (CIC 495).
7. A Virgindade perpétua de Nossa Senhora
Maria é Virgem antes, durante e depois do parto:
Antes: concebeu por obra do Espírito Santo (Lc 1,34-35).
Durante: deu à luz sem dor e sem prejuízo da integridade virginal, pois foi um parto milagroso (Is 66,7).
Depois: permaneceu sempre virgem. A palavra “irmãos de Jesus” no Evangelho (Mt 13,55) significa parentes próximos.
🔹 O parto virginal é coerente com o dogma da onipotência de Deus, pois “a Deus nada é impossível” (Lc 1,37).
CIC: “Maria permaneceu Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao alimentá-lo, sempre Virgem” (CIC 510).
8. O verdadeiro matrimônio de Nossa Senhora com São José
Maria e José tiveram um matrimônio verdadeiro, embora não consumado.
Motivos da conveniência desse matrimônio:
Para que Jesus fosse considerado legitimamente filho de Davi.
Para proteger Maria da acusação de adultério (cf. Dt 22,20-24).
Para que tivesse proteção e sustento.
Para ocultar de Satanás o mistério da Encarnação.
Para confirmar em nós a certeza do parto virginal, através da conduta de São José.
Bíblia: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa” (Mt 1,20).
CIC: “José, esposo de Maria, foi o guardião fiel do mistério de Deus” (CIC 532).
9. Imaculada Conceição
Maria foi preservada imune do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção, em virtude dos méritos de Cristo.
Esse dogma foi definido por Pio IX em 1854 (Ineffabilis Deus).
Explicação teológica (Duns Scotus): Maria foi redimida de modo preventivo, antes mesmo de cair na mancha do pecado.
Bíblia: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela: ela te esmagará a cabeça” (Gn 3,15).
CIC: “Maria foi redimida desde sua concepção, de maneira única e singular, pelos méritos de Cristo” (CIC 491-492).
10. Imunidade do pecado em Maria Santíssima
Maria nunca cometeu nenhum pecado, nem mortal, nem venial.
Foi confirmada em graça desde o primeiro instante.
Sua inteligência, vontade e paixões estavam perfeitamente ordenadas a Deus.
Bíblia: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).
CIC: “Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal durante toda a sua vida” (CIC 493).
11. A excelência da graça de Maria Santíssima
A graça de Maria, desde a sua concepção, foi superior a de todos os anjos e santos juntos.
A cada ato seu, crescia em santidade e amor a Deus.
Desde o primeiro instante de sua concepção, teve uso da razão, para poder oferecer atos meritórios a Deus.
Maria é, portanto, o modelo perfeito de santidade, depois de Cristo.
Bíblia: “O Todo-poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1,49).
CIC: “Maria é saudada como a excelsa Filha de Sião e a nova Eva. Ela é ‘cheia de graça’ e modelo da santidade da Igreja” (CIC 507).
Conclusão
Nesta aula vimos:
Quem é Jesus Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, o Verbo Encarnado.
O mistério da União Hipostática.
O significado profundo dos nomes “Jesus” e “Cristo”.
As provas de que Ele é o Messias e Redentor.
Os privilégios de Maria Santíssima: Mãe de Deus, Virgem perpétua, Esposa de José, Imaculada, toda santa e cheia de graça.
Cristo é o nosso Senhor, Salvador e Redentor. Maria é a sua Mãe e a nossa Mãe, medianeira de todas as graças.
