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Aula 7 — Cristo Nosso Senhor e Maria Santíssima

Aula 7 do Curso de Catecismo da Escola Catequética Santo Agostinho.

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Nossa Senhora com o Menino e o Livro, de Rafael
Nossa Senhora com o Menino e o Livro, de Rafael. Obra em domínio público — Wikimedia Commons.

Cristo Nosso Senhor e Maria Santíssima

1. O Verbo Encarnado

No segundo artigo do Credo professamos: “Em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor”.

  • Jesus Cristo é o Verbo Encarnado, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que assumiu a natureza humana para nos salvar.

  • Ele é gerado do Pai “por via de inteligência” desde toda a eternidade. Isso significa que o Filho procede do Pai como o Verbo eterno, o Pensamento perfeito.

  • Quanto à sua humanidade, foi formada no tempo, no seio da Virgem Maria, em Nazaré, por obra do Espírito Santo.

🔹 Jesus é Filho Unigênito: só Ele é Filho por natureza. Nós, pelo batismo, nos tornamos filhos adotivos, participando da vida divina pela graça santificante, mas sem jamais nos tornarmos “deuses por natureza”.

Bíblia: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).
CIC: “O Filho de Deus, trabalhando com mãos de homem, pensando com inteligência de homem, agindo com vontade de homem, amando com coração de homem, nasceu da Virgem Maria, tornando-se verdadeiramente um de nós, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (CIC 470).

2. Duas naturezas, uma só pessoa

  • Cristo possui duas naturezas reais e completas: a divina e a humana.

  • Essas naturezas se unem em uma só Pessoa, a Pessoa divina do Verbo.

  • Não existe em Cristo uma “pessoa humana”. Falar em “pessoa humana de Cristo” é heresia.

  • Essa verdade foi definida no Concílio de Calcedônia (451): duas naturezas, unidas sem confusão e sem separação, em uma só Pessoa.

Exemplo de comparação:

  • Na Trindade: uma só natureza em três Pessoas.

  • Em Cristo: duas naturezas em uma só Pessoa.

Bíblia: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9).
CIC: “A natureza humana de Cristo pertence pessoalmente ao Filho de Deus e está por isso privada de uma própria pessoa” (CIC 468).

3. União Hipostática

Essa união das duas naturezas em uma só Pessoa é chamada União Hipostática (hypóstasis = pessoa, em grego).

  • Desde o primeiro instante da concepção no seio de Maria, a natureza humana de Cristo foi assumida pelo Verbo.

  • Não houve nenhuma mudança em Deus: o Verbo permanece imutável.

  • A natureza humana foi elevada e unida ao Verbo, mas o Verbo não sofreu alteração alguma.

🔹 Erro a evitar: pensar que a Encarnação modificou o Verbo divino. Isso é impossível, porque Deus é imutável (cf. Tg 1,17).

Bíblia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1,23).
CIC: “O Filho de Deus uniu-se, de certo modo, a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano” (CIC 470).

4. Significado de Jesus e de Cristo

  • Jesus significa Salvador. Foi o nome dado por Deus por meio do Arcanjo Gabriel (Lc 1,31) e confirmado em sonho a São José (Mt 1,21).

  • Cristo significa Ungido (Messias).

    • No Antigo Testamento, eram ungidos reis, sacerdotes e profetas.

    • Cristo reúne em si os três ofícios:

      • Rei dos reis (Ap 19,16), que governa todos os povos.

      • Sumo Sacerdote (Hb 4,14), que oferece a Si mesmo em sacrifício.

      • Profeta (Dt 18,18; Jo 7,40), que anuncia e cumpre a Verdade de Deus.

🔹 Mas Cristo não foi ungido com óleo material: sua “unção” é a união da natureza humana com a divina, desde o primeiro instante da Encarnação.

CIC: “Jesus é chamado ‘Cristo’ porque foi consagrado pelo Espírito Santo e porque é Ele o Messias esperado” (CIC 436).

5. Jesus verdadeiro Messias e verdadeiro Redentor: provas

Jesus provou ser o verdadeiro Messias e Redentor de dois modos principais:

a) Cumprimento das profecias do Antigo Testamento

  • Da tribo de Judá e da família de Davi (2Sm 7,12-13; Mq 5,1).

  • Nascido em Belém (Mq 5,1).

  • Paixão descrita em detalhes por Isaías (Is 53).

  • Ressurreição anunciada (Sl 16,10).

  • Reino universal (Sl 72,8).

Também as figuras do Antigo Testamento apontam para Ele:

  • Isaac carregando a madeira do sacrifício (Gn 22).

  • O cordeiro pascal cujo sangue livrou da morte (Ex 12,13).

  • A serpente de bronze levantada por Moisés (Nm 21,9; Jo 3,14-15).

  • Jonas no ventre do peixe (Jn 2,1; Mt 12,40).

b) Milagres e autoridade divina

  • Realizou milagres verdadeiros: curas, ressurreições, domínio sobre a natureza.

  • Perdoou pecados (Mc 2,10).

  • Se declarou Deus: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); “Antes que Abraão fosse, Eu sou” (Jo 8,58).

CIC: “Os milagres de Cristo são sinais que confirmam que Ele é o Messias esperado” (CIC 547).

6. Nossa Senhora, Mãe de Deus

  • Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos), porque gerou em sua carne a Pessoa de Cristo, que é Deus e homem.

  • Essa verdade foi definida solenemente no Concílio de Éfeso (431) contra o nestorianismo.

  • Não é apenas “mãe da natureza humana de Cristo”, mas da Pessoa divina do Verbo encarnado.

Bíblia: “Donde me é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1,43).
CIC: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois gerou segundo a carne o Filho eterno do Pai” (CIC 495).

7. A Virgindade perpétua de Nossa Senhora

Maria é Virgem antes, durante e depois do parto:

  • Antes: concebeu por obra do Espírito Santo (Lc 1,34-35).

  • Durante: deu à luz sem dor e sem prejuízo da integridade virginal, pois foi um parto milagroso (Is 66,7).

  • Depois: permaneceu sempre virgem. A palavra “irmãos de Jesus” no Evangelho (Mt 13,55) significa parentes próximos.

🔹 O parto virginal é coerente com o dogma da onipotência de Deus, pois “a Deus nada é impossível” (Lc 1,37).

CIC: “Maria permaneceu Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao alimentá-lo, sempre Virgem” (CIC 510).

8. O verdadeiro matrimônio de Nossa Senhora com São José

  • Maria e José tiveram um matrimônio verdadeiro, embora não consumado.

  • Motivos da conveniência desse matrimônio:

    1. Para que Jesus fosse considerado legitimamente filho de Davi.

    2. Para proteger Maria da acusação de adultério (cf. Dt 22,20-24).

    3. Para que tivesse proteção e sustento.

    4. Para ocultar de Satanás o mistério da Encarnação.

    5. Para confirmar em nós a certeza do parto virginal, através da conduta de São José.

Bíblia: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa” (Mt 1,20).
CIC: “José, esposo de Maria, foi o guardião fiel do mistério de Deus” (CIC 532).

9. Imaculada Conceição

  • Maria foi preservada imune do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção, em virtude dos méritos de Cristo.

  • Esse dogma foi definido por Pio IX em 1854 (Ineffabilis Deus).

  • Explicação teológica (Duns Scotus): Maria foi redimida de modo preventivo, antes mesmo de cair na mancha do pecado.

Bíblia: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela: ela te esmagará a cabeça” (Gn 3,15).
CIC: “Maria foi redimida desde sua concepção, de maneira única e singular, pelos méritos de Cristo” (CIC 491-492).

10. Imunidade do pecado em Maria Santíssima

  • Maria nunca cometeu nenhum pecado, nem mortal, nem venial.

  • Foi confirmada em graça desde o primeiro instante.

  • Sua inteligência, vontade e paixões estavam perfeitamente ordenadas a Deus.

Bíblia: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).
CIC: “Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal durante toda a sua vida” (CIC 493).

11. A excelência da graça de Maria Santíssima

  • A graça de Maria, desde a sua concepção, foi superior a de todos os anjos e santos juntos.

  • A cada ato seu, crescia em santidade e amor a Deus.

  • Desde o primeiro instante de sua concepção, teve uso da razão, para poder oferecer atos meritórios a Deus.

  • Maria é, portanto, o modelo perfeito de santidade, depois de Cristo.

Bíblia: “O Todo-poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1,49).
CIC: “Maria é saudada como a excelsa Filha de Sião e a nova Eva. Ela é ‘cheia de graça’ e modelo da santidade da Igreja” (CIC 507).

Conclusão

Nesta aula vimos:

  • Quem é Jesus Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, o Verbo Encarnado.

  • O mistério da União Hipostática.

  • O significado profundo dos nomes “Jesus” e “Cristo”.

  • As provas de que Ele é o Messias e Redentor.

  • Os privilégios de Maria Santíssima: Mãe de Deus, Virgem perpétua, Esposa de José, Imaculada, toda santa e cheia de graça.

Cristo é o nosso Senhor, Salvador e Redentor. Maria é a sua Mãe e a nossa Mãe, medianeira de todas as graças.