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Missão Católica
Missão Regnum Mariae
Para que venha o Reino de Cristo, venha o Reino de Maria
2ª semana — conhecimento de Maria · exercício 4

Dia 22: Senhora e serva no Reino de Cristo

Acolher a autoridade materna de Maria como serviço que ordena a vida interior ao senhorio de Jesus.

Formação em vídeo

Vídeo do Dia 22

Assista às orientações desta etapa e à meditação do Pe. Eryc dos Santos, IBP, no canal Missa Tridentina em Brasília. Depois, continue com os textos e as orações desta página.

Em poucas palavras

Acolher a autoridade materna de Maria como serviço que ordena a vida interior ao senhorio de Jesus.

Para meditar

  1. A realeza de Maria participa, por graça, da realeza de seu Filho.
  2. Sua condução não substitui a consciência nem a doutrina da Igreja.
  3. A verdadeira liberdade cresce na obediência a Deus.

Leituras do dia

Lucas 1,57-80Tratado, nn. 152-167

Os textos completos estão disponíveis logo abaixo.

Leitura e meditação

Abra as leituras deste dia

Leia devagar. Quando uma frase tocar o coração, pare, converse com Deus e transforme a luz recebida num propósito concreto.

Sagrada EscrituraLucas 1,57–80Abrir leitura

57Mas a Isabel se lhe chegou o tempo de dar à luz e teve um filho.

58E ouviram os seus vizinhos, e parentes, que o Senhor havia assinalado com ela a sua misericórdia, e se congratulavam com ela.

59E aconteceu que ao oitavo dia vieram circuncidar ao menino, e lhe queriam pôr o nome de seu pai Zacarias.

60E respondendo sua mãe, disse: De nenhuma sorte, mas será chamado João.

61E responderam-lhe: Ninguém há na tua geração que tenha êste nome.

62E perguntavam por acenos ao pai do menino, como queria que se chamasse.

63E pedindo uma tabuinha escreveu, dizendo: João é o seu nome. E todos se encheram de assombro:

64E logo foi aberta a sua bôca, e a sua língua, e falava bendizendo a Deus.

65E o temor se apoderou de todos os vizinhos dêles: E se divulgaram tôdas estas maravilhas por tôdas as montanhas da Judéia:

66E todos os que as ouviam as conservavam no seu coração, dizendo: Quem julgais vós que virá a ser êste menino? Porque a mão do Senhor era com êle.

67E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo: E profetizou, dizendo:

68Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e fez a redenção do seu povo:

69E porque nos suscitou um salvador poderoso: Na casa de seu servo Davi,

70segundo o que êle tinha prometido por bôca dos seus santos profetas, que viveram nos séculos passados:

71Que nos havia de livrar de nossos inimigos, e das mãos de todos os que nos tivessem ódio:

72Para exercitar a sua misericórdia a favor de nossos pais: E lembrar-se do seu santo pacto.

73Segundo o juramento, que êle fez a nosso pai Abraão, de que êle nos faria esta graça:

74Para que livres das mãos de nossos inimigos, o sirvamos sem temor:

75Em santidade e justiça diante dêle, por todos os dias da nossa vida.

76E tu, ó menino, tu serás chamado o profeta do Altíssimo: Porque irás ante a face do Senhor a preparar os seus caminhos.

77Para se dar ao seu povo o conhecimento da salvação: A fim de que êle receba o perdão dos seus pecados:

78Pelas entranhas de misericórdia do nosso Deus, com que lá do alto nos visitou êste sol no Oriente:

79Para alumiar os que vivem de assento nas trevas, e na sombra da morte: Para dirigir os nossos pés no caminho da paz.

80Ora o menino crescia, e se fortificava no espírito: E habitava nos desertos até o dia em que se manifestou a Israel.

Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público)
Leitura espiritualTratado da Verdadeira Devoção, nn. 152–167Abrir leitura

152. Quinto motivo. Esta devoção é um caminho fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Nosso Senhor, e nisto consiste a perfeição do cristão. § I. Esta devoção é um caminho fácil. É um caminho fácil; é um caminho que Jesus Cristo abriu quando veio a nós, e no qual não há obstáculo que nos impeça de chegar a Ele. Pode-se, é verdade, chegar a Ele por outros caminhos; mas encontram-se muito mais cruzes e mortes estranhas, e muito mais empecilhos, que dificilmente se vencem. Será preciso passar por noites obscuras, por combates e agonias terríveis, escalar montanhas escarpadas, pisando espinhos agudos, atravessar desertos horríveis. Enquanto que pelo caminho de Maria passa-se com muito mais doçura e tranquilidade. Aí se encontram, sem dúvida, rudes combates a travar, e dificuldades enormes para vencer. Mas esta boa Mãe e Senhora está sempre tão próxima e presente a seus fiéis servos, para alumiá-los em suas trevas, esclarecê-los em suas dúvidas, encorajá-los em seus receios, sustê-los em seus combates e dificuldades, que, em verdade, este caminho virginal, para chegar a Jesus Cristo é um caminho de rosas e de mel, em vista de outros caminhos. Houve alguns santos, mas em pequeno número, como Santo Efrém, São João Damasceno, São Bernardo, São Bernardino, São Boaventura, São Francisco de Sales, etc., que trilharam este caminho ameno para ir a Jesus Cristo, porque o Espírito Santo, esposo fiel de Maria, o indicou a eles por uma graça especial; os outros santos, porém, que são em muito maior número, embora tenham tido devoção à Santíssima Virgem, não entraram, ou entraram muito pouco, nesta via. E por isso tiveram de arrostar provas bem mais rudes e mais perigosas. ***

153. A que atribuir, então – dirá algum fiel servidor desta boa Mãe –, que seus servos tenham de enfrentar tantas ocasiões de sofrer, e mais que os outros que não lhe são devotos? Contradizem-nos, perseguem-nos, caluniam-nos, não os suportam1; ou, então, andam em trevas interiores, e em aridez de deserto onde não pinga nem uma gota de orvalho celeste. Se esta devoção torna mais fácil o caminho que conduz a Jesus Cristo, donde vem que eles são tão desprezados?

154. Respondo-lhes que é bem verdade que os mais fiéis servos da Santíssima Virgem, porque são seus grandes favoritos, recebem dela as maiores graças e favores do céu, isto é, as cruzes; mas sustento que são também os servidores de Maria que levam estas cruzes com mais facilidade, mérito e glória; e mais que, onde outro qualquer pararia mil vezes e até cairia, eles não se detêm e, ao contrário, avançam sempre, porque esta boa Mãe, cheia de graça e unção do Espírito Santo, adoça todas as cruzes que para eles talha, no mel de sua doçura maternal e na unção do puro amor; deste modo, eles as suportam alegremente, como nozes confeitadas, que, de natureza, são amargas. E creio que uma pessoa que quer ser devota e viver piedosamente em Jesus Cristo, e, por conseguinte, sofrer perseguições e carregar todos os dias sua cruz, não carregará nunca grandes cruzes, ou não as carregará alegremente até ao fim, sem uma terna devoção à Santíssima Virgem, que torna doces as cruzes; do mesmo modo que uma pessoa não poderia, sem uma grande violência, impossível de manter indefinidamente, comer nozes verdes que não fossem saturadas de açúcar. § II. Esta devoção é um caminho curto.

155. Esta devoção à Santíssima Virgem é um caminho curto2 para encontrar Jesus Cristo, seja porque dele não nos extraviamos, seja porque, como acabo de dizer, nele marchamos com mais alegria e facilidade, e, consequentemente, com mais prontidão. Avançamos mais, em pouco tempo de submissão e dependência a Maria, do que em anos inteiros de vontade própria e contando apenas com o próprio esforço; pois o homem obediente e submisso a Maria Santíssima cantará vitórias (Pv 21,28) assinaladas sobre seus inimigos. Estes hão de querer impedilo de avançar, ou obrigá-lo a recuar, ou derrubá-lo; mas, apoiado, auxiliado e guiado por Maria, ele, sem cair, sem recuar, sem mesmo se atrasar, avançará a passos de gigante em direção a Jesus Cristo, pelo mesmo caminho, que, como está escrito (S1 18,6), Jesus trilhou para vir a nós em largos passos e em pouco tempo.

156. Por que viveu Jesus Cristo tão pouco sobre a terra, e por que esses poucos anos que aqui viveu passou-os quase todos em submissão e obediência a sua Mãe? Ah! é que, tendo vivido pouco, encheu a carreira de uma longa vida (Sb 4,13); viveu longamente e mais do que Adão, do qual veio reparar as perdas, embora este tenha vivido mais de novecentos anos; e Jesus Cristo viveu longamente, porque viveu bem submisso e bem unido a sua Mãe Santíssima, para obedecer a Deus seu Pai; pois: 1º) aquele que honra sua mãe assemelha-se a um homem que entesoura, diz o Espírito Santo, isto é, aquele que honra a Maria, sua Mãe, ao ponto de submeter-se a ela e obedecer-lhe em tudo, em breve se tornará rico, pois acumula tesouros todos os dias, pelo segredo desta pedra filosofal: “Qui honorat matrem, quasi qui thesaurizat” (Eclo 3,5); 2º) porque, conforme uma interpretação espiritual da palavra do Espírito Santo: “Senectus mea in misericordia uberi, – Minha velhice se encontra na misericórdia do seio” (S1 91,11), é no seio de Maria, que “envolveu e gerou um homem perfeito” (cf. Jr 31,22), e que “teve a capacidade de conter aquele que o universo todo não compreende nem contém”3, é no seio de Maria que os jovens envelhecem em luz, em santidade, em experiência e em sabedoria, e onde, em poucos anos, se atinge a plenitude da idade de Jesus Cristo. § III. Esta devoção é um caminho perfeito.

157. Esta prática de devoção à Santíssima Virgem é um caminho perfeito para ir e unir-se a Jesus Cristo, pois Maria é a mais perfeita e a mais santa das criaturas, e Jesus Cristo, que veio perfeitamente a nós, não tomou outro caminho em sua grande e admirável viagem. O Altíssimo, o Incompreensível, o Inacessível, aquele que é, quis vir a nós, pequenos vermes da terra, que nada somos. Como se fez isto? O Altíssimo desceu perfeita e divinamente até nós por meio da humilde Maria, sem nada perder de sua divindade e santidade; e é por Maria que os pequeninos devem subir perfeita e divinamente ao Altíssimo sem recear coisa alguma. O Incompreensível dei-xou-se compreender e conter perfeitamente por Maria, sem nada perder de sua imensidade; é também pela pequena Maria que devemos dei-xar-nos conduzir e conter perfeitamente sem a menor reserva. O Inacessível aproximou-se, uniu-se estreitamente, perfeitamente e até pessoalmente à nossa humanidade por meio de Maria, sem perder uma parcela de sua majestade; é também por Maria que devemos aproximar-nos de Deus e unir-nos a sua majestade, perfeita e estreitamente, sem temor de repulsa. Aquele que é quis, enfim, vir ao que não é, e fazer que aquele que não é se torne Deus ou aquele que é. E Ele o fez perfeitamente, dando-se e submetendo-se inteiramente à Virgem Maria sem deixar de ser no tempo aquele que é na eternidade; outrossim, é por Maria que, se bem que sejamos nada, podemos tornar-nos semelhantes a Deus, pela graça e pela glória, dando-nos a ela tão perfeita e inteiramente, que nada sejamos em nós mesmos e tudo nela, sem receio de nos enganar.

158. Ainda que me apresentem um caminho novo para ir a Jesus Cristo, e que esse caminho seja pavimentado com todos os merecimentos dos bemaventurados, ornado de todas as suas virtudes heroicas, iluminado e decorado de todas as luzes e belezas dos anjos, e que todos os anjos e santos lá estejam para conduzir, defender e amparar aqueles e aquelas que o quiserem palmilhar; em verdade, em verdade, digo ousadamente, e digo a verdade, eu havia de preferir a este, tão perfeito, o caminho imaculado de Maria: “Posui immaculatam viam meam” (S1 18,33), via ou caminho sem a menor nódoa ou mancha, sem pecado original ou atual, sem sombras nem trevas; e quando meu amável Jesus vier, em sua glória, uma segunda vez à terra (como é certo) para aqui reinar, o caminho que escolherá será Maria Santíssima, o mesmo pelo qual ele veio com segurança e perfeitamente a primera vez. A diferença entre a primeira e a última vinda é que a primeira foi secreta e oculta, e a segunda será gloriosa e retumbante; ambas, porém, são perfeitas, porque, como a primeira, também a segunda será por Maria. Eis um mistério que não podemos compreender: “Hic taceat omnis lingua”. § IV. Esta devoção é um caminho seguro.

159. Esta devoção à Santíssima Virgem é um caminho seguro para irmos a Jesus Cristo e adquirirmos a perfeição, unindo-nos a ele: 1º) Porque esta prática, preconizada por mim, não é nova; é tão antiga, que não se pode, como diz Boudon4, em um livro que escreveu sobre esta devoção, determinar-lhe com toda a precisão os começos. Em todo caso é certo que há mais de 700 anos encontram-se vestígios dela na Igreja5. Santo Odilon, abade de Cluni, que viveu cerca do ano 1040 foi um dos primeiros que a praticaram na França, conforme está anotado em sua vida. O Cardeal Pedro Damião6 refere que em 1016 o bem-aventurado Marinho, seu irmão, se fez escravo da Santíssima Virgem, em presença de seu diretor e de um modo bem edificante: pôs a corda ao pescoço, tomou a disciplina, e depositou sobre o altar uma quantia de dinheiro como sinal de seu devotamento e consagração à Santíssima Virgem; e assim continuou tão fielmente, que, na hora da morte, mereceu ser visitado e consolado por sua boa Soberana, de cujos lábios recebeu as promessas do paraíso em recompensa de seus serviços. Cesário Bollando menciona um ilustre cavaleiro, Vautier de Birbak, parente chegado dos duques de Lovaina, que, aí pelo ano 1300, fez esta consagração à Santíssima Virgem. Santíssima Virgem. Esta devoção foi praticada por muitos particulares até ao século XVII, quando se tornou pública.

160. O Padre Simão de Roias da Ordem da Trindade, também chamada da redenção dos cativos, pregador do Rei Filipe III, pôs em voga esta devoção em toda a Espanha (em 1611) e na Alemanha7; a instâncias de Filipe III, obteve de Gregório XV grandes indulgências para aqueles que a praticassem. O padre de Los Rios, da Ordem de Santo Agostinho, aplicou-se com seu íntimo amigo, o padre de Roias, a espalhar esta devoção por toda a Espanha e Alemanha, o que fez por seus escritos e pregações. Compôs um grosso volume intitulado Hierarquia Mariana8, no qual trata, com piedade e erudição, da Antiguidade, da excelência e da solidez desta devoção.

161. Os reverendos padres teatinos estabeleceram esta devoção na Itália, na Sicília e na Saboia, no século XVII. O Rev. Pe. Estanislau Falácio, da Companhia de Jesus, incrementou maravilhosamente esta devoção na Polônia9. O Rev. Pe. Cornélio a Lápide, recomendável tanto por sua piedade como por seu profundo saber, tendo recebido de vários bispos e teólogos a incumbência de dar seu parecer sobre esta devoção, examinou-a acuradamente e teceu-lhe louvores dignos de sua piedade, e seu exemplo foi seguido por muitas outras pessoas importantes. Os reverendos padres jesuítas, sempre zelosos do serviço da Santíssima Virgem, apresentaram ao Duque Fernando da Baviera, em nome dos congreganistas de Colônia, um pequeno tratado desta devoção10. O duque, que era, então, arcebispo de Colônia, deu-lhe sua aprovação e a permissão de imprimi-lo, exortando todos os curas e religiosos de sua diocese de propagar, quanto pudessem, esta sólida devoção.

162. O cardeal de Bérulle, cuja memória é abençoada por toda a França, foi um dos mais zelosos em espalhar esta devoção, apesar de todas as calúnias e perseguições que lhe levantaram e moveram os críticos e os libertinos. Acusaram-no de inventar novidade e superstição; escreveram e publicaram contra ele um panfleto difamatório, e serviram-se, ou antes o demônio, por seu ministério, de mil estratagemas para impedi-lo de divulgar na França esta devoção. Mas o grande e santo homem só opôs a suas calúnias uma inalterável paciência, e às suas objeções, contidas no tal libelo, um pequeno escrito em que as refuta energicamente, demonstrando que esta devoção é fundada no exemplo de Jesus Cristo, nas obrigações que lhe devemos, e nos votos que fizemos no santo batismo; e é especialmente com esta última razão que ele fecha a boca a seus adversários, fazendo ver que esta consagração à Santíssima Virgem e a Jesus Cristo por suas mãos, nada mais é que uma perfeita renovação das promessas do batismo. Diz, enfim, muitas coisas belas que se pode ler em suas obras.

163. No livro de Boudon, já citado (n. 150), encontram-se os nomes dos papas que aprovaram esta devoção, dos teólogos que a examinaram, pode-se ler das perseguições que lhe suscitaram e que venceu, e dos milhares de pessoas que a abraçaram, sem que jamais papa algum a tenha condenado; nem seria possível fazê-lo sem derrubar os fundamentos do cristianismo. Fica, portanto, de pé que esta devoção não é nova, e que não é comum, por ser preciosa demais para ser apreciada e praticada por todo mundo. ***

164. 2º) Esta devoção é um meio seguro para ir a Jesus Cristo, porque pertence à Santíssima Virgem e lhe é próprio conduzir-nos a Jesus Cristo, como compete a Jesus Cristo conduzir-nos ao Pai celestial. E não creiam erroneamente as pessoas espirituais que Maria seja um empecilho no caminho que conduz à união divina. Pois seria possível que aquela que achou graça diante de Deus para o mundo todo em geral, e para cada um em particular, fosse um empecilho a uma alma que busca a grande graça da união com Ele? Seria possível que aquela que tem sido cheia e superabundante de graças, e tão unida e transformada em Deus, a ponto de Ele encarnar-se nela, impedisse uma alma de ficar perfeitamente unida a Deus? É verdade que a vista de outras criaturas, ainda que santas, poderia, talvez, em certos tempos, retardar a união divina; mas não Maria, como já disse e direi sempre sem me cansar. Uma das razões por que tão poucas almas atingem a plenitude da idade de Jesus Cristo, é que Maria, a Mãe do Filho e a Esposa do Espírito Santo, não está suficientemente formada nos corações. Quem quiser o fruto bem maduro e formado deve ter a árvore que o produz; quem quer possuir o fruto de vida, Jesus Cristo, deve ter a árvore da vida, que é Maria. Quem quiser ter em si a operação do Espírito Santo, deve ter sua Esposa fiel e inseparável, Maria Santíssima, que o torna fértil e fecundo, como já dissemos alhures (n. 2021).

165. Persuadi-vos, portanto, de que quanto mais contemplardes Maria em vossas orações, meditações, ações e sofrimentos, se não de um modo distinto e perceptível, ao menos geral e imperceptível, tanto mais perfeitamente encontrareis Jesus Cristo, que, com Maria, é sempre grande, poderoso, ativo e incompreensível, e muito mais que no céu e em qualquer criatura do universo. Assim, Maria Santíssima, toda abismada em Deus, está longe de tornar-se um obstáculo aos perfeitos no seu caminho para chegar à união com Deus, e, bem ao contrário, não houve até hoje, nem haverá nunca criatura que nos auxilie mais eficazmente do que ela nesta grande obra, seja pelas graças que para este efeito vos comunicará, pois ninguém fica cheio do pensa-mento de Deus se não for por ela, diz um santo11: “Nemo cogitatione Dei repletur nisi per te”; seja pelas ilusões e trapaças do espírito maligno contra o qual ela vos garantirá.

166. Onde está Maria, não entra o espírito maligno; e um dos sinais mais infalíveis de que se está sendo conduzido pelo bom espírito é a circunstância de ser muito devoto de Maria, de pensar nela muitas vezes, e de falar-lhe frequentemente. É esta a opinião de um santo12 que acrescenta que, como a respiração é sinal inconfundível de que o corpo não está morto, o pensamento assíduo e a invocação amorosa de Maria é um sinal certo de que a alma não está morta pelo pecado.

167. Maria sozinha esmagou e exterminou as heresias, diz a Igreja com o Espírito Santo que a conduz: “Sola cunctas haereses interemisti in universo mundo”13; e embora os críticos resmunguem contra esta afirmação, jamais um fiel devoto de Maria cairá na heresia ou na ilusão, pelo menos formal; poderá errar materialmente, tomar a mentira por verdade, e o espírito maligno pelo bom, e isto mesmo não tão facilmente como outro qualquer. Mais cedo ou mais tarde, porém, reconhecerá sua falta e seu erro material, e, quando o reconhecer, não teimará de modo algum em crer e sustentar o que tomara por verdade. ***

São Luís Maria Grignion de Montfort — edição integral indicada na página

Exame do coração

  • Que área da vida resiste ao senhorio de Cristo?
  • Procuro a vontade de Deus ou apenas confirmações para a minha?
Propósito concreto

Entregue a Maria uma decisão e procure julgá-la à luz do Evangelho.

Orações de cada etapa

Abra e reze sem sair da página

O manual indica as orações conforme a etapa. Nos doze dias iniciais, apresenta como prática possível o Veni Creator e o Ave Maris Stella.

Veni Creator Spiritus — todos os períodosAbrir oração

Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos vossos fiéis e enchei de graça celestial os corações que criastes.

Sois chamado Paráclito, dom do Deus Altíssimo, fonte viva, fogo, caridade e unção espiritual. Derramai sobre nós os vossos sete dons; iluminai nossos sentidos, infundi amor em nossos corações e fortalecei nossa fraqueza.

Repeli o inimigo para longe, dai-nos prontamente a paz e, guiados por vós, evitemos todo mal. Fazei-nos conhecer o Pai e o Filho e crer sempre em vós, que procedeis de ambos. Amém.

Ave Maris Stella — todos os períodosAbrir oração

Salve, Estrela do mar, santa Mãe de Deus, sempre Virgem, feliz porta do céu. Recebendo aquele Ave dos lábios de Gabriel, firmai-nos na paz, mudando o nome de Eva.

Quebrai as cadeias dos pecadores, dai luz aos cegos, afastai nossos males e alcançai-nos todos os bens. Mostrai que sois Mãe; receba por vós nossas preces aquele que, nascendo por nós, quis ser vosso Filho.

Virgem singular, mansa entre todas, fazei-nos, livres das culpas, mansos e castos. Concedei-nos vida pura, preparai-nos caminho seguro, para que, vendo Jesus, sempre nos alegremos. Amém.

Ladainha do Espírito Santo — 1ª, 2ª e 3ª semanasAbrir oração

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que procedeis do Pai e do Filho, vinde a nós.

Espírito de sabedoria e entendimento, tende piedade de nós.

Espírito de conselho e fortaleza, tende piedade de nós.

Espírito de ciência, piedade e temor do Senhor, tende piedade de nós.

Espírito de fé, esperança, caridade e paz, tende piedade de nós.

Espírito de graça e oração, tende piedade de nós.

Espírito de humildade, pureza e obediência, tende piedade de nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos apreciar retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozar sempre de sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Rosário ou ao menos o Terço — 2ª semanaAbrir oração

Contemple os mistérios da vida de Cristo com Maria. Inicie pelo Credo, Pai-nosso, três Ave-Marias e Glória. Em cada dezena: anuncie o mistério, reze um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória.

Segunda e sábado: gozosos. Terça e sexta: dolorosos. Quarta e domingo: gloriosos. Quinta: luminosos.