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Aula 15 — Da Comunhão dos Santos à Vida Eterna

Aula 15 do Curso de Catecismo da Escola Catequética Santo Agostinho.

Curso em andamentoAula 15 de 19 atualmente disponíveis
O Juízo Final, de Michelangelo
O Juízo Final, de Michelangelo. Obra em domínio público — Wikimedia Commons.

Aula 15 - Da Comunhão dos Santos à Vida Eterna

O que é a comunhão dos santos

No artigo do Credo sobre a comunhão dos santos, o termo "santos" não se refere precisamente aos santos canonizados, mas simplesmente aos membros da Igreja Católica, todos chamados à santidade. A comunhão dos santos exprime a comunicação possível entre os membros da Igreja Triunfante (os que já estão no Céu), da Igreja Padecente (as almas do Purgatório) e da Igreja Militante (nós que ainda lutamos na terra).

Isso significa que:
Nós, da Igreja Militante, podemos recorrer aos santos, que intercedem por nós.
Podemos rezar uns pelos outros (Igreja Militante).
Podemos rezar pelas almas do Purgatório, para que suas penas sejam aliviadas.
Há disputa entre teólogos sobre se as almas do Purgatório podem fazer algo por nós – existe liberdade nessa questão.

*Nota apologética: A intercessão dos santos que já estão no Céu está atestada na Sagrada Escritura, que mostra claramente que os justos que partiram desta vida não estão "dormindo" num estado de inconsciência, mas estão vivos em Deus, conscientes e ativos. Em Apocalipse (Ap 5,8), os vinte e quatro anciãos prostram-se diante do Cordeiro, "tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos", mostrando que no Céu as criaturas apresentam a Deus as preces dos que estão na terra. Em Apocalipse 8,3-4, um anjo recebe "grande quantidade de incenso para oferecer com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono; e da mão do anjo subiu a Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos". Fica claro, assim, que anjos e santos no Céu oferecem a Deus as nossas orações. Ainda em Apocalipse (Ap 6,9-10), as almas dos mártires clamam em alta voz, pedindo justiça, o que demonstra que estão plenamente conscientes e intercedem. A cena da Transfiguração (Mt 17,3) mostra Moisés e Elias conversando com Cristo – eles não estavam aniquilados nem adormecidos. A própria Bíblia manda que os cristãos rezem uns pelos outros: "Orai uns pelos outros para serdes salvos" (Tg 5,16) e "recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões, ações de graças por todos os homens" (1Tm 2,1). Ora, a morte física não separa os membros do Corpo de Cristo (Rm 8,38-39: "nem a morte nem a vida nos separará do amor de Deus"). Logo, se os que estão vivos na terra devem rezar uns pelos outros, e os que estão no Céu estão mais vivos e mais unidos a Deus do que nós, é perfeitamente bíblico pedir a intercessão deles. Quanto à "escala de valores" ou hierarquia com que Deus distribui suas graças, a Escritura mostra que Deus, que é Sumo Bem e fonte primeira de toda graça, dispôs comunicar seus dons de modo ordenado e hierárquico, através de mediações subordinadas. Assim como Deus não precisava de anjos para governar o mundo material, e todavia os constituiu e os envia como seus ministros (Hb 1,14: "Não são todos eles espíritos servidores, enviados para exercer um ministério em favor daqueles que devem herdar a salvação?"), também Deus não precisava de governantes, de pais ou de profetas, e todavia age através deles. Do mesmo modo, Deus não precisava de usar os santos para nos alcançar graças, mas quis fazê-lo porque a sua bondade se comunica através das criaturas, e quis associar os membros do Corpo Místico a essa distribuição de dons, manifestando assim a glória da sua caridade e da comunhão dos santos. É o que lemos em Jó 5,1: "Chama, pois! Haverá alguém que te responda? A qual dos anjos recorrerás?". Aqui já se vê a ideia de recorrer a um intercessor celeste. E em Apocalipse 22,8-9, o apóstolo João tenta prostrar-se diante do anjo, e o anjo o impede, dizendo: "Vê, não faças isso! Eu sou conservo teu e dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus!". O anjo recusa a adoração, mas não recusa que se reconheça que ele, sendo conservo, está numa hierarquia elevada de servidores de Deus. Se o próprio Deus se serve de anjos – e isso os protestantes aceitam como doutrina bíblica –, com muito mais razão pode servir-se dos santos, que são membros do Corpo de Cristo revestidos da sua glória. Deus quis precisar das criaturas para derramar as graças pela comunhão dos santos, e não porque fosse limitado, mas porque é próprio do seu amor difundir-se ordenadamente, associando as criaturas à sua obra, de modo que a glória da redenção se manifeste na unidade do corpo, onde "se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele" (1Cor 12,26).*

A comunhão dos santos significa também que os membros da Igreja têm certos bens em comum, que podem ser internos e externos:
Bens internos: a graça, a fé, a esperança e a caridade; os méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo; os merecimentos da Santíssima Virgem e dos santos; e o fruto das boas obras que se fazem dentro da Igreja.
Bens externos: os sacramentos, o santo sacrifício da Missa, as orações públicas, as funções religiosas e todas as outras práticas exteriores que unem os fiéis.

Os fiéis em pecado mortal não participam dos bens internos da Igreja, mas podem participar dos bens externos. Ainda assim, podem tirar algum proveito dos bens internos porque conservam o caráter de cristãos e são auxiliados pelas orações e boas obras dos fiéis.

Bíblia:
"Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4,4-5).
"Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo" (1Cor 12,12).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
946-948: "A comunhão dos santos é a Igreja. Todos os fiéis formam um só corpo; o bem de uns é comunicado aos outros. É preciso crer na comunhão de todos os fiéis, os que são peregrinos na terra, os que estão no purgatório e os que gozam da bem-aventurança celeste."
955: "A comunhão dos santos é também a comunhão das coisas santas (sancta). O fruto de todos os sacramentos pertence a todos os fiéis."

Quem está excluído dela: infiéis, judeus, hereges, apóstatas, cismáticos, excomungados

Estão completamente excluídos da comunhão dos santos:
Os que já estão condenados no inferno.
Os que não pertencem à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo:
Infieis: os que não foram batizados (muçulmanos, pagãos).
Judeus: os que professam a lei de Moisés, não receberam o batismo nem creem em Jesus Cristo.
Hereges: pessoas batizadas que recusam crer em alguma ou algumas verdades reveladas por Deus e ensinadas como de fé pela Igreja Católica (ex: protestantes, arianos – que negam a divindade de Cristo, nestorianos – que negam a união das naturezas na Pessoa divina).
Apóstatas: os que abandonam completamente a fé com ato externo, renegando publicamente a fé católica que antes professavam. Fala-se também em "apostasia das nações" – nações que antes professavam a fé católica e hoje estão organizadas separadas da Igreja.
Cismáticos: cristãos que, não negando explicitamente dogma algum, separam-se voluntariamente da Igreja de Cristo ou dos legítimos pastores. Hoje é difícil haver cisma sem que se negue a autoridade do Papa, que foi definida infalivelmente.
Excomungados: os que, por alguma falta grave, são fulminados com a pena de excomunhão pelo Papa ou pelo bispo, sendo assim separados do corpo da Igreja. A Igreja deseja e espera a conversão dessas pessoas. Atos passíveis de excomunhão: sacrilégio contra hóstia consagrada, agressão física contra o Santo Padre, aborto consumado, revelação do segredo de confissão (pelo padre ou por quem ouviu), entre outros. É preciso que a pessoa saiba da sanção a que está sujeita.

Os excomungados ficam privados das orações públicas, dos sacramentos, das indulgências e da sepultura eclesiástica. No entanto, podemos auxiliar os excomungados e todos os que estão fora da Igreja com advertências salutares, orações e boas obras, suplicando a Deus que lhes conceda a graça de se converter e entrar na comunhão dos santos.

A excomunhão tem duas finalidades: 1) restabelecer a ordem lesada pelo pecado cometido; 2) aspecto medicinal: para que o pecador tenha consciência da gravidade do seu erro, se arrependa e volte à verdadeira fé.

Bíblia:
"Se alguém não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e publicano" (Mt 18,17).
"Expulsai o mau do meio de vós" (1Cor 5,13).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1463: "Certos pecados particularmente graves são punidos com a excomunhão, a mais severa pena eclesiástica, que impede o recebimento dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiásticos."
837: "Estão plenamente incorporados na sociedade da Igreja os que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam a totalidade da sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos."

A remissão dos pecados

O 10º artigo do Credo ("a remissão dos pecados") ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou à sua Igreja o poder de perdoar os pecados por meio de seus ministros. A Igreja pode perdoar todo e qualquer pecado, por mais grave que seja, por mais numerosos ou duradouros que tenham sido. O único obstáculo para o perdão é a própria pessoa, com a falta de arrependimento.

Quem pode perdoar pecados na Igreja:
O Papa (sempre tem poder de absolvição universal).
Os bispos (têm jurisdição em suas dioceses).
Os sacerdotes que tenham recebido dos bispos o poder de confessar (jurisdição), pois a confissão não basta com o poder de ordem (ser padre) – é necessário o poder de jurisdição, porque é um tribunal.

A Igreja perdoa pecados por dois sacramentos:
Batismo: perdoa o pecado original (crianças) e também os pecados atais (adultos que vão receber o batismo, desde que estejam arrependidos). Se um adulto for batizado sem arrependimento, recebe o caráter de cristão, mas não tem seus pecados perdoados – terá que confessá-los depois.
Confissão (sacramento da penitência): perdoa os pecados cometidos depois do batismo. É chamada de "segunda tábua de salvação" (a primeira é o batismo).

Bíblia:
"Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,22-23).
"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1Jo 1,9).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
976: "O Credo professa que a remissão dos pecados é um artigo de fé. A Igreja possui o poder de perdoar os pecados pelo batismo e pelo sacramento da penitência."
1449: "A fórmula de absolvição exprime que o perdão vem de Deus e é concedido pelo ministério da Igreja."

A ressurreição da carne: o corpo dos eleitos e o corpo dos condenados

O 11º artigo do Credo ("a ressurreição da carne") ensina que todos os homens irão ressuscitar, retomando cada alma o corpo que teve nesta vida. A morte é a separação da alma e do corpo; no fim do mundo, haverá a ressurreição da carne para o juízo final.

A relação entre alma e corpo é tão íntima que é impossível que a nossa alma tenha outro corpo (a filosofia já demonstrou isso). A reencarnação é irracional e impossível: a alma guarda uma relação com o seu próprio corpo e só a ele se unirá na ressurreição.

A ressurreição se dará por virtude de Deus, a quem nada é impossível. Não importa o estado em que o corpo se encontra – Deus o reconstituirá. A alma, tendo feito bem ou mal unida ao corpo, receberá juntamente com ele o prêmio ou o castigo.

Bíblia:
"Ressuscitarão os mortos, e os que estão nos sepulcros se levantarão" (Jo 5,28-29).
"Semeia-se corpo corruptível, ressuscita incorruptível" (1Cor 15,42).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
997: "A ressurreição dos mortos é a verdade revelada por Deus. Todos os mortos ressuscitarão no último dia, com seus próprios corpos."
1016: "A morte é a separação da alma e do corpo; na ressurreição, Deus dará a vida incorruptível ao nosso corpo, unindo-o à nossa alma."

Os dotes do corpo glorioso

Haverá grande diferença entre os corpos dos eleitos e dos condenados.

Corpos dos que se salvaram: terão à semelhança de Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado os dotes dos corpos gloriosos:
Impassibilidade: o corpo não sofrerá; não haverá necessidade de alimento, bebida, repouso ou qualquer outra coisa.
Claridade: a glória da alma, vendo Deus face a face, resplandecerá no corpo (como na Transfiguração do Senhor).
Agilidade: poderão passar num momento de um lugar para outro, da terra ao céu, sem fadiga (não é teletransporte – é preciso passar pelos pontos intermediários, mas com extrema rapidez).
Sutileza: poderão atravessar qualquer obstáculo, passar através de qualquer corpo (como Jesus ressuscitado que entrou no cenáculo com as portas fechadas).

Os mártires terão as cicatrizes do seu martírio (como as chagas de Nosso Senhor), e essas cicatrizes resplandecerão como sinal do seu triunfo.

Corpos dos condenados: não terão nenhum desses dotes e trarão a marca da reprovação eterna. A ressurreição será para todos, mas para os condenados será para maior sofrimento, pois o corpo também sofrerá as penas.

Em geral, os corpos estarão na idade perfeita (cerca de 33 anos). Os que morreram crianças ressuscitarão na idade adulta, sem defeitos físicos.

Bíblia:
"Os justos resplandecerão como o sol no Reino de seu Pai" (Mt 13,43).
"Semeia-se corpo animal, ressuscita corpo espiritual" (1Cor 15,44).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
999: "Cristo ressuscitou com o seu corpo: 'Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu mesmo'. O corpo na ressurreição será glorificado, com os dotes de impassibilidade, claridade, agilidade e sutileza."

Breve nota sobre a cremação

Atualmente a Igreja permite a cremação (até recentemente era proibida). A razão da proibição era o respeito ao corpo: os pagãos, os não católicos (especialmente os materialistas e ateus) queimavam os corpos por desprezo ou por negar a ressurreição. A Igreja, que dá verdadeiro valor ao corpo (subordinado à alma, mas parte integrante da pessoa), sempre recomendou a sepultura como sinal de respeito e como lembrança da morte para os vivos.

Hoje, a cremação é permitida, mas não é recomendável, pois a inumação (enterro) mostra melhor esse respeito e consideração com o corpo, que junto com a alma forma a pessoa. O corpo enterrado também é uma lição para os outros, lembrando a morte ("hoje para mim, amanhã para vós").

Bíblia:
"Sepultaram-no, e ele desceu à paz no seu túmulo" (referências aos sepultamentos dos justos).
"Lembra-te, homem, que és pó e ao pó voltarás" (Gn 3,19).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
2301: "A Igreja permite a cremação, desde que não manifeste dúvida sobre a ressurreição dos mortos. No entanto, recomenda vivamente que se conserve a piedosa tradição de sepultar os corpos dos defuntos."

Crítica ao espiritismo

O espiritismo é contrário à razão e à fé católica em vários pontos:
Contra a razão: é impossível a união da nossa alma com outro corpo humano (reencarnação). A alma e o corpo são criados no mesmo instante e têm uma relação intrínseca e única.
Contra a redenção de Cristo: no espiritismo, a pessoa faz a sua própria salvação (auto-redenção) a cada encarnação, aperfeiçoando-se pelas próprias forças. É uma forma de pelagianismo, que nega a necessidade da graça e da redenção operada por Cristo.
Contra a justiça: no final, todos se salvam (uns demoram mais, outros menos), o que nega a existência do inferno eterno e a justiça divina.
Contra a divindade de Cristo: nega que Cristo seja Deus, tratando-o apenas como um grande modelo ou exemplo, o que é contraditório (Cristo afirmou ser Deus; se não era, foi mentiroso).
Contra o corpo: há no espiritismo um certo ódio ao corpo, tratado como prisão da alma, enquanto a fé católica ensina que o corpo é bom e será glorificado.

Bíblia:
"Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9,27).
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1016: "A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem. A reencarnação é incompatível com a fé cristã."
679: "Cristo é o Senhor da vida eterna. O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças."

A vida eterna no céu e a sua felicidade

O 12º e último artigo do Credo ("na vida eterna. Amém") ensina que depois desta vida presente haverá outra, eternamente no céu (para os salvos) ou eternamente desgraçada no inferno (para os condenados).

A felicidade no céu é incompreensível para nós: todas as alegrias e felicidades da terra, multiplicadas, estão muito aquém do que realmente é o céu.

A felicidade no céu consiste essencialmente na visão beatífica: ver Deus face a face com a inteligência (não com os olhos do corpo, mas com a inteligência iluminada pela glória). É conhecer, amar e possuir Deus para sempre.

Na terra, nossa felicidade consiste em conhecer a verdade e amar o bem; no céu, isso se dará de modo perfeito, e será impossível perder essa felicidade (pois se houvesse possibilidade de perder, não seria plena).

Além da essência (inteligência e vontade), há elementos acidentais:
Satisfação ordenada e legítima de todas as nossas faculdades.
A conversa com os santos, especialmente com Nossa Senhora.
Ver as pessoas que ajudamos a salvar.

No céu, é impossível pecar, porque vemos e amamos diretamente a Verdade e o Bem absolutos; guardamos a liberdade, mas uma liberdade perfeita, que só escolhe o bem.

Bíblia:
"Agora vemos como em espelho, confusamente; então veremos face a face" (1Cor 13,12).
"Entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25,21).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1023: "Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o veem tal como ele é."
1024: "A vida perfeita com a Santíssima Trindade. Esta vida é chamada céu. É a bem-aventurança, a felicidade eterna."

A vida eterna no inferno e as suas penas

A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da visão de Deus e punidos com outros tormentos.

A principal pena do inferno é a pena de dano: a perda eterna e definitiva de Deus, a separação definitiva d'Ele. É uma criança abandonada para sempre. A alma no inferno odeia a Deus – ao mesmo tempo que vê com a inteligência que Deus é o sumo bem, odeia-O, algo inimaginável.

Além disso, há as penas sensíveis:
Pena do fogo: não é imagem; é fogo real, material, que queima sem consumir, e atinge as almas (e os demônios, que são puro espírito) por virtude de Deus, como instrumento, assim como a água do batismo produz efeito espiritual.
Remorso de consciência ("o verme da consciência"): a pessoa se dá conta de que foi por sua própria culpa que está nessa situação, e que bastaria tão pouco (a graça de Deus, que ela rejeitou) para não estar ali.

As penas variam conforme os pecados de cada um (número, gravidade), mas todos sofrem eternamente, em graus distintos.

As penas que sofremos aqui, por maiores que sejam, são nada comparadas ao inferno.

Bíblia:
"Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25,41).
"O seu verme não morre e o fogo não se apaga" (Mc 9,48).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1035: "A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus. Jesus fala do 'fogo eterno' reservado aos que até ao fim recusam crer e converter-se."
1034: "Morrer em pecado mortal sem estar arrependido e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa permanecer separado d'Ele para sempre."

A glória a Deus dada pelos que se salvaram e pelos que se condenaram

Deus criou todas as coisas para a sua glória. Os que estão no céu dão glória a Deus conhecendo-O, amando-O e servindo-O perfeitamente, manifestando seus atributos de bondade, misericórdia e caridade.

Os que estão no inferno também dão glória a Deus, mas manifestando outro atributo divino: a justiça. A justiça de Deus se manifesta na punição justa dos que livremente escolheram o mal até o fim.

Temos duas escolhas agora: corresponder à graça para que Deus manifeste em nós sua bondade e misericórdia, ou rejeitá-la e que Ele manifeste sua justiça.

Bíblia:
"Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos" (Fl 2,10).
"O Senhor fará justiça ao seu povo" (Dt 32,36).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1040: "O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças. Deus será 'tudo em todos' (1Cor 15,28)."

O significado do "Amém" no Credo

O Credo conclui-se com "Amém". Esta palavra hebraica significa "assim é", "assim seja". No Credo, não estamos desejando que Deus seja todo-poderoso ou que Jesus Cristo seja o Senhor (pois eles já o são), mas estamos firmando estas verdades.

O "Amém" no final do Credo significa: "É absolutamente verdadeiro tudo o que está nestes 12 artigos; creio firmemente, como se visse com meus próprios olhos, porque é a Igreja que nos ensina." É a retomada da primeira palavra do Credo: "Creio". O Amém é a confirmação, a afirmação sem dúvida: "Assim é, eu creio."

Bíblia:
"Todas as promessas de Deus encontram o seu 'sim' em Cristo; por isso, por ele, dizemos 'Amém' à glória de Deus" (2Cor 1,20).
"Ao Anjo da Igreja de Laodiceia escreve: 'Eis o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira'" (Ap 3,14).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):
1061-1064: "Amém é a palavra hebraica que exprime a firmeza, a fidelidade de Deus e a confiança do crente. No Credo, o Amém final 'cobre' e confirma tudo o que professamos. É o nosso 'sim' à fé da Igreja."

Notas complementares sobre dúvidas comuns:
Onde ficam o céu e o inferno? A Igreja não tem definição sobre isso. Não adianta especular; sabemos que são lugares (ou estados) definitivos.
Doação de órgãos: não há problema, desde que respeitados os procedimentos éticos e a dignidade do corpo.
Os santos e Nossa Senhora ficam tristes com nossos pecados? Não. No céu, estão em perfeita união com Deus e subordinados à sua vontade. Nossos pecados acontecem pela permissão divina, e os santos não sofrem com isso – antes, glorificam a justiça e a misericórdia de Deus.
Por que se diz que Deus se ira ou se entristece? São modos humanos de falar para mostrar como nossos pecados ofendem a Deus e causaram a Paixão de Cristo.

O que é a comunhão dos santos

No artigo do Credo sobre a comunhão dos santos, o termo "santos" não se refere precisamente aos santos canonizados, mas simplesmente aos membros da Igreja Católica, todos chamados à santidade. A comunhão dos santos exprime a comunicação possível entre os membros da Igreja Triunfante (os que já estão no Céu), da Igreja Padecente (as almas do Purgatório) e da Igreja Militante (nós que ainda lutamos na terra).

Isso significa que:

  • Nós, da Igreja Militante, podemos recorrer aos santos, que intercedem por nós.

  • Podemos rezar uns pelos outros (Igreja Militante).

  • Podemos rezar pelas almas do Purgatório, para que suas penas sejam aliviadas.

  • Há disputa entre teólogos sobre se as almas do Purgatório podem fazer algo por nós – existe liberdade nessa questão.

A comunhão dos santos significa também que os membros da Igreja têm certos bens em comum, que podem ser internos e externos:

Bens internos: a graça, a fé, a esperança e a caridade; os méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo; os merecimentos da Santíssima Virgem e dos santos; e o fruto das boas obras que se fazem dentro da Igreja.

Bens externos: os sacramentos, o santo sacrifício da Missa, as orações públicas, as funções religiosas e todas as outras práticas exteriores que unem os fiéis.

Os fiéis em pecado mortal não participam dos bens internos da Igreja, mas podem participar dos bens externos. Ainda assim, podem tirar algum proveito dos bens internos porque conservam o caráter de cristãos e são auxiliados pelas orações e boas obras dos fiéis.

Bíblia:

  • "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4,4-5).

  • "Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo" (1Cor 12,12).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 946-948: "A comunhão dos santos é a Igreja. Todos os fiéis formam um só corpo; o bem de uns é comunicado aos outros. É preciso crer na comunhão de todos os fiéis, os que são peregrinos na terra, os que estão no purgatório e os que gozam da bem-aventurança celeste."

  • 955: "A comunhão dos santos é também a comunhão das coisas santas (sancta). O fruto de todos os sacramentos pertence a todos os fiéis."

Quem está excluído dela: infiéis, judeus, hereges, apóstatas, cismáticos, excomungados

Estão completamente excluídos da comunhão dos santos:

  1. Os que já estão condenados no inferno.

  2. Os que não pertencem à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo:

    • Infieis: os que não foram batizados (muçulmanos, pagãos).

    • Judeus: os que professam a lei de Moisés, não receberam o batismo nem creem em Jesus Cristo.

    • Hereges: pessoas batizadas que recusam crer em alguma ou algumas verdades reveladas por Deus e ensinadas como de fé pela Igreja Católica (ex: protestantes, arianos – que negam a divindade de Cristo, nestorianos – que negam a união das naturezas na Pessoa divina).

    • Apóstatas: os que abandonam completamente a fé com ato externo, renegando publicamente a fé católica que antes professavam. Fala-se também em "apostasia das nações" – nações que antes professavam a fé católica e hoje estão organizadas separadas da Igreja.

    • Cismáticos: cristãos que, não negando explicitamente dogma algum, separam-se voluntariamente da Igreja de Cristo ou dos legítimos pastores. Hoje é difícil haver cisma sem que se negue a autoridade do Papa, que foi definida infalivelmente.

    • Excomungados: os que, por alguma falta grave, são fulminados com a pena de excomunhão pelo Papa ou pelo bispo, sendo assim separados do corpo da Igreja. A Igreja deseja e espera a conversão dessas pessoas. Atos passíveis de excomunhão: sacrilégio contra hóstia consagrada, agressão física contra o Santo Padre, aborto consumado, revelação do segredo de confissão (pelo padre ou por quem ouviu), entre outros. É preciso que a pessoa saiba da sanção a que está sujeita.

Os excomungados ficam privados das orações públicas, dos sacramentos, das indulgências e da sepultura eclesiástica. No entanto, podemos auxiliar os excomungados e todos os que estão fora da Igreja com advertências salutares, orações e boas obras, suplicando a Deus que lhes conceda a graça de se converter e entrar na comunhão dos santos.

A excomunhão tem duas finalidades: 1) restabelecer a ordem lesada pelo pecado cometido; 2) aspecto medicinal: para que o pecador tenha consciência da gravidade do seu erro, se arrependa e volte à verdadeira fé.

Bíblia:

  • "Se alguém não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e publicano" (Mt 18,17).

  • "Expulsai o mau do meio de vós" (1Cor 5,13).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1463: "Certos pecados particularmente graves são punidos com a excomunhão, a mais severa pena eclesiástica, que impede o recebimento dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiásticos."

  • 837: "Estão plenamente incorporados na sociedade da Igreja os que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam a totalidade da sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos."

A remissão dos pecados

O 10º artigo do Credo ("a remissão dos pecados") ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou à sua Igreja o poder de perdoar os pecados por meio de seus ministros. A Igreja pode perdoar todo e qualquer pecado, por mais grave que seja, por mais numerosos ou duradouros que tenham sido. O único obstáculo para o perdão é a própria pessoa, com a falta de arrependimento.

Quem pode perdoar pecados na Igreja:

  • O Papa (sempre tem poder de absolvição universal).

  • Os bispos (têm jurisdição em suas dioceses).

  • Os sacerdotes que tenham recebido dos bispos o poder de confessar (jurisdição), pois a confissão não basta com o poder de ordem (ser padre) – é necessário o poder de jurisdição, porque é um tribunal.

A Igreja perdoa pecados por dois sacramentos:

  • Batismo: perdoa o pecado original (crianças) e também os pecados atais (adultos que vão receber o batismo, desde que estejam arrependidos). Se um adulto for batizado sem arrependimento, recebe o caráter de cristão, mas não tem seus pecados perdoados – terá que confessá-los depois.

  • Confissão (sacramento da penitência): perdoa os pecados cometidos depois do batismo. É chamada de "segunda tábua de salvação" (a primeira é o batismo).

Bíblia:

  • "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,22-23).

  • "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1Jo 1,9).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 976: "O Credo professa que a remissão dos pecados é um artigo de fé. A Igreja possui o poder de perdoar os pecados pelo batismo e pelo sacramento da penitência."

  • 1449: "A fórmula de absolvição exprime que o perdão vem de Deus e é concedido pelo ministério da Igreja."

A ressurreição da carne: o corpo dos eleitos e o corpo dos condenados

O 11º artigo do Credo ("a ressurreição da carne") ensina que todos os homens irão ressuscitar, retomando cada alma o corpo que teve nesta vida. A morte é a separação da alma e do corpo; no fim do mundo, haverá a ressurreição da carne para o juízo final.

A relação entre alma e corpo é tão íntima que é impossível que a nossa alma tenha outro corpo (a filosofia já demonstrou isso). A reencarnação é irracional e impossível: a alma guarda uma relação com o seu próprio corpo e só a ele se unirá na ressurreição.

A ressurreição se dará por virtude de Deus, a quem nada é impossível. Não importa o estado em que o corpo se encontra – Deus o reconstituirá. A alma, tendo feito bem ou mal unida ao corpo, receberá juntamente com ele o prêmio ou o castigo.

Bíblia:

  • "Ressuscitarão os mortos, e os que estão nos sepulcros se levantarão" (Jo 5,28-29).

  • "Semeia-se corpo corruptível, ressuscita incorruptível" (1Cor 15,42).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 997: "A ressurreição dos mortos é a verdade revelada por Deus. Todos os mortos ressuscitarão no último dia, com seus próprios corpos."

  • 1016: "A morte é a separação da alma e do corpo; na ressurreição, Deus dará a vida incorruptível ao nosso corpo, unindo-o à nossa alma."

Os dotes do corpo glorioso

Haverá grande diferença entre os corpos dos eleitos e dos condenados.

Corpos dos que se salvaram: terão à semelhança de Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado os dotes dos corpos gloriosos:

  1. Impassibilidade: o corpo não sofrerá; não haverá necessidade de alimento, bebida, repouso ou qualquer outra coisa.

  2. Claridade: a glória da alma, vendo Deus face a face, resplandecerá no corpo (como na Transfiguração do Senhor).

  3. Agilidade: poderão passar num momento de um lugar para outro, da terra ao céu, sem fadiga (não é teletransporte – é preciso passar pelos pontos intermediários, mas com extrema rapidez).

  4. Sutileza: poderão atravessar qualquer obstáculo, passar através de qualquer corpo (como Jesus ressuscitado que entrou no cenáculo com as portas fechadas).

Os mártires terão as cicatrizes do seu martírio (como as chagas de Nosso Senhor), e essas cicatrizes resplandecerão como sinal do seu triunfo.

Corpos dos condenados: não terão nenhum desses dotes e trarão a marca da reprovação eterna. A ressurreição será para todos, mas para os condenados será para maior sofrimento, pois o corpo também sofrerá as penas.

Em geral, os corpos estarão na idade perfeita (cerca de 33 anos). Os que morreram crianças ressuscitarão na idade adulta, sem defeitos físicos.

Bíblia:

  • "Os justos resplandecerão como o sol no Reino de seu Pai" (Mt 13,43).

  • "Semeia-se corpo animal, ressuscita corpo espiritual" (1Cor 15,44).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 999: "Cristo ressuscitou com o seu corpo: 'Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu mesmo'. O corpo na ressurreição será glorificado, com os dotes de impassibilidade, claridade, agilidade e sutileza."

Breve nota sobre a cremação

Atualmente a Igreja permite a cremação (até recentemente era proibida). A razão da proibição era o respeito ao corpo: os pagãos, os não católicos (especialmente os materialistas e ateus) queimavam os corpos por desprezo ou por negar a ressurreição. A Igreja, que dá verdadeiro valor ao corpo (subordinado à alma, mas parte integrante da pessoa), sempre recomendou a sepultura como sinal de respeito e como lembrança da morte para os vivos.

Hoje, a cremação é permitida, mas não é recomendável, pois a inumação (enterro) mostra melhor esse respeito e consideração com o corpo, que junto com a alma forma a pessoa. O corpo enterrado também é uma lição para os outros, lembrando a morte ("hoje para mim, amanhã para vós").

Bíblia:

  • "Sepultaram-no, e ele desceu à paz no seu túmulo" (referências aos sepultamentos dos justos).

  • "Lembra-te, homem, que és pó e ao pó voltarás" (Gn 3,19).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 2301: "A Igreja permite a cremação, desde que não manifeste dúvida sobre a ressurreição dos mortos. No entanto, recomenda vivamente que se conserve a piedosa tradição de sepultar os corpos dos defuntos."

Crítica ao espiritismo

O espiritismo é contrário à razão e à fé católica em vários pontos:

  1. Contra a razão: é impossível a união da nossa alma com outro corpo humano (reencarnação). A alma e o corpo são criados no mesmo instante e têm uma relação intrínseca e única.

  2. Contra a redenção de Cristo: no espiritismo, a pessoa faz a sua própria salvação (auto-redenção) a cada encarnação, aperfeiçoando-se pelas próprias forças. É uma forma de pelagianismo, que nega a necessidade da graça e da redenção operada por Cristo.

  3. Contra a justiça: no final, todos se salvam (uns demoram mais, outros menos), o que nega a existência do inferno eterno e a justiça divina.

  4. Contra a divindade de Cristo: nega que Cristo seja Deus, tratando-o apenas como um grande modelo ou exemplo, o que é contraditório (Cristo afirmou ser Deus; se não era, foi mentiroso).

  5. Contra o corpo: há no espiritismo um certo ódio ao corpo, tratado como prisão da alma, enquanto a fé católica ensina que o corpo é bom e será glorificado.

Bíblia:

  • "Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9,27).

  • "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1016: "A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem. A reencarnação é incompatível com a fé cristã."

  • 679: "Cristo é o Senhor da vida eterna. O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças."

A vida eterna no céu e a sua felicidade

O 12º e último artigo do Credo ("na vida eterna. Amém") ensina que depois desta vida presente haverá outra, eternamente no céu (para os salvos) ou eternamente desgraçada no inferno (para os condenados).

A felicidade no céu é incompreensível para nós: todas as alegrias e felicidades da terra, multiplicadas, estão muito aquém do que realmente é o céu.

A felicidade no céu consiste essencialmente na visão beatífica: ver Deus face a face com a inteligência (não com os olhos do corpo, mas com a inteligência iluminada pela glória). É conhecer, amar e possuir Deus para sempre.

Na terra, nossa felicidade consiste em conhecer a verdade e amar o bem; no céu, isso se dará de modo perfeito, e será impossível perder essa felicidade (pois se houvesse possibilidade de perder, não seria plena).

Além da essência (inteligência e vontade), há elementos acidentais:

  • Satisfação ordenada e legítima de todas as nossas faculdades.

  • A conversa com os santos, especialmente com Nossa Senhora.

  • Ver as pessoas que ajudamos a salvar.

No céu, é impossível pecar, porque vemos e amamos diretamente a Verdade e o Bem absolutos; guardamos a liberdade, mas uma liberdade perfeita, que só escolhe o bem.

Bíblia:

  • "Agora vemos como em espelho, confusamente; então veremos face a face" (1Cor 13,12).

  • "Entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25,21).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1023: "Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o veem tal como ele é."

  • 1024: "A vida perfeita com a Santíssima Trindade. Esta vida é chamada céu. É a bem-aventurança, a felicidade eterna."

A vida eterna no inferno e as suas penas

A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da visão de Deus e punidos com outros tormentos.

A principal pena do inferno é a pena de dano: a perda eterna e definitiva de Deus, a separação definitiva d'Ele. É uma criança abandonada para sempre. A alma no inferno odeia a Deus – ao mesmo tempo que vê com a inteligência que Deus é o sumo bem, odeia-O, algo inimaginável.

Além disso, há as penas sensíveis:

  • Pena do fogo: não é imagem; é fogo real, material, que queima sem consumir, e atinge as almas (e os demônios, que são puro espírito) por virtude de Deus, como instrumento, assim como a água do batismo produz efeito espiritual.

  • Remorso de consciência ("o verme da consciência"): a pessoa se dá conta de que foi por sua própria culpa que está nessa situação, e que bastaria tão pouco (a graça de Deus, que ela rejeitou) para não estar ali.

  • As penas variam conforme os pecados de cada um (número, gravidade), mas todos sofrem eternamente, em graus distintos.

As penas que sofremos aqui, por maiores que sejam, são nada comparadas ao inferno.

Bíblia:

  • "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25,41).

  • "O seu verme não morre e o fogo não se apaga" (Mc 9,48).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1035: "A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus. Jesus fala do 'fogo eterno' reservado aos que até ao fim recusam crer e converter-se."

  • 1034: "Morrer em pecado mortal sem estar arrependido e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa permanecer separado d'Ele para sempre."

A glória a Deus dada pelos que se salvaram e pelos que se condenaram

Deus criou todas as coisas para a sua glória. Os que estão no céu dão glória a Deus conhecendo-O, amando-O e servindo-O perfeitamente, manifestando seus atributos de bondade, misericórdia e caridade.

Os que estão no inferno também dão glória a Deus, mas manifestando outro atributo divino: a justiça. A justiça de Deus se manifesta na punição justa dos que livremente escolheram o mal até o fim.

Temos duas escolhas agora: corresponder à graça para que Deus manifeste em nós sua bondade e misericórdia, ou rejeitá-la e que Ele manifeste sua justiça.

Bíblia:

  • "Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos" (Fl 2,10).

  • "O Senhor fará justiça ao seu povo" (Dt 32,36).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1040: "O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças. Deus será 'tudo em todos' (1Cor 15,28)."

O significado do "Amém" no Credo

O Credo conclui-se com "Amém". Esta palavra hebraica significa "assim é", "assim seja". No Credo, não estamos desejando que Deus seja todo-poderoso ou que Jesus Cristo seja o Senhor (pois eles já o são), mas estamos firmando estas verdades.

O "Amém" no final do Credo significa: "É absolutamente verdadeiro tudo o que está nestes 12 artigos; creio firmemente, como se visse com meus próprios olhos, porque é a Igreja que nos ensina." É a retomada da primeira palavra do Credo: "Creio". O Amém é a confirmação, a afirmação sem dúvida: "Assim é, eu creio."

Bíblia:

  • "Todas as promessas de Deus encontram o seu 'sim' em Cristo; por isso, por ele, dizemos 'Amém' à glória de Deus" (2Cor 1,20).

  • "Ao Anjo da Igreja de Laodiceia escreve: 'Eis o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira'" (Ap 3,14).

Catecismo da Igreja Católica (CIC):

  • 1061-1064: "Amém é a palavra hebraica que exprime a firmeza, a fidelidade de Deus e a confiança do crente. No Credo, o Amém final 'cobre' e confirma tudo o que professamos. É o nosso 'sim' à fé da Igreja."

Notas complementares sobre dúvidas comuns:

  • Onde ficam o céu e o inferno? A Igreja não tem definição sobre isso. Não adianta especular; sabemos que são lugares (ou estados) definitivos.

  • Doação de órgãos: não há problema, desde que respeitados os procedimentos éticos e a dignidade do corpo.

  • Os santos e Nossa Senhora ficam tristes com nossos pecados? Não. No céu, estão em perfeita união com Deus e subordinados à sua vontade. Nossos pecados acontecem pela permissão divina, e os santos não sofrem com isso – antes, glorificam a justiça e a misericórdia de Deus.

  • Por que se diz que Deus se ira ou se entristece? São modos humanos de falar para mostrar como nossos pecados ofendem a Deus e causaram a Paixão de Cristo.