Tradição Católica em Ariquemes, RondôniaFé • Formação • Oração • Missão
Brasão da Missão Regnum Mariae
Missão Católica
Missão Regnum Mariae
Para que venha o Reino de Cristo, venha o Reino de Maria

Aula 11 — A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo

Aula 11 do Curso de Catecismo da Escola Catequética Santo Agostinho.

Curso em andamentoAula 11 de 19 atualmente disponíveis
A Ascensão de Nosso Senhor
A Ascensão de Nosso Senhor. Obra em domínio público — Wikimedia Commons.

A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo

Qual a importância do tempo entre a Ressurreição e a Ascensão?

Após a Ressurreição, Nosso Senhor permaneceu 40 dias na terra antes de subir ao Céu. Durante esse tempo, instruiu os apóstolos “nas coisas do Reino de Deus” e confirmou a fé deles. Foi nesse período que instituiu explicitamente alguns sacramentos, como a Confissão (“Recebei o Espírito Santo; a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” – Jo 20,22-23) e o Batismo (“Ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” – Mt 28,19). É muito provável que outros sacramentos, como o Matrimônio, a Crisma e a Unção, também tenham sido instituídos nesse tempo.

Assim, esses 40 dias foram essenciais para completar a obra de Cristo e preparar a Igreja para a sua missão.

Bíblia:

  • At 1,3 – “Aos quais também, depois da sua paixão, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.”

  • Jo 20,22-23 – Instituição da Confissão.

  • Mt 28,19-20 – Instituição do Batismo e envio missionário.

Catecismo:

  • CIC 659 – “O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua Ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que doravante goza.”

  • CIC 661 – “Durante quarenta dias, Cristo ressuscitado partilha a vida íntima dos seus discípulos.”

Subida aos céus em corpo e alma pela própria virtude

A Ascensão de Cristo aconteceu quarenta dias depois da Ressurreição. Ele subiu aos céus em corpo e alma, diante dos discípulos, não por auxílio de outro, mas pela sua própria virtude divina, pois sendo Deus e Homem verdadeiro, tinha poder sobre a vida, a morte e a glória.

Bíblia:

  • Mc 16,19 – “O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus.”

  • At 1,9 – “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.”

Catecismo:

  • CIC 660 – “O caráter velado, ao mesmo tempo, da glória do Ressuscitado durante este tempo transparece em suas palavras misteriosas a Maria Madalena: ‘Ainda não subi para junto do Pai’.”

  • CIC 663 – “Cristo, desde a sua Ascensão, está sentado à direita do Pai.”

A conveniência da Ascensão de Cristo: tomar posse do Seu Reino, nos enviar o Espírito Santo, elevar a nossa alma às coisas celestes

Cristo subiu ao Céu por três razões principais:

  1. Tomar posse do Reino – como Homem, recebe o domínio que já tinha como Deus, adquirindo também pelo sacrifício da cruz.

  2. Enviar o Espírito Santo – a promessa do Paráclito só se cumpriria após Sua partida visível (Jo 16,7).

  3. Elevar a nossa alma às coisas do Alto – com a Ascensão, Cristo nos ensina a não ficarmos presos às coisas terrenas, mas buscarmos as celestes.

Sua subida é também o sinal definitivo de que o sacrifício da Cruz foi aceito por Deus Pai, assim como, no Antigo Testamento, a fumaça do holocausto subia ao Céu como sinal de oferta agradável.

Bíblia:

  • Jo 16,7 – “Se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se eu for, eu vo-lo enviarei.”

  • Cl 3,1-2 – “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.”

Catecismo:

  • CIC 662 – “A Ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus.”

  • CIC 665 – “A Ascensão de Cristo marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no céu de Deus.”

O que significa estar sentado à mão direita de Deus Pai?

“Sentado à direita de Deus” não é posição física, mas expressão simbólica: indica o poder real, a glória e a igualdade de Cristo com o Pai. Estar à direita significa possuir o lugar de honra, autoridade e reinado eterno.

Cristo reina como Deus e também como Homem:

  • Pela excelência da Sua humanidade, unida ao Verbo.

  • Pelo direito de aquisição, tendo conquistado o mundo com o seu sangue na Cruz.

Assim, Ele é Rei das almas e Rei das sociedades. Todas as sociedades — família, comunidade, Estado — devem reconhecer o reinado social de Cristo.

Bíblia:

  • Ef 1,20-22 – “Deus O ressuscitou dentre os mortos e O fez sentar-se à sua direita nos céus, muito acima de todo principado e potestade.”

  • Hb 1,3 – “Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade nas alturas.”

Catecismo:

  • CIC 664 – “Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do reino do Messias, cumprimento da visão do profeta Daniel.”

  • CIC 668 – “Cristo, desde a Ascensão, sentou-se à direita do Pai: Ele é o Senhor, e d’Ele depende o destino da história e de toda a criação.”

Juízo particular: o que é, em que momento ocorre, mentiras do demônio

Nosso Senhor, que foi julgado e condenado injustamente pelos homens, será o Juiz justíssimo de todos no momento da morte.
O juízo particular acontece imediatamente após a separação da alma do corpo. Nesse instante, a sentença é definitiva: céu, purgatório ou inferno.

  • Céu: para os que morrem em estado de graça, sem penas a expiar.

  • Purgatório: para os que morrem em graça, mas ainda têm pecados veniais ou penas temporais a satisfazer.

  • Inferno: para os que morrem em pecado mortal sem arrependimento.

Esse julgamento é instantâneo, sem diálogos, sem justificativas, pois Deus conhece todas as coisas inclusive as intenções mais profundas.

É o momento mais importante da nossa vida: vivemos para morrer bem. Como ensina a tradição da Igreja, na hora da morte não há mais tempo para conversão.

O demônio tenta enganar principalmente de duas formas:

  1. Fazendo acreditar que ser católico é viver uma vida triste, sem alegria.

  2. Convencendo a alma de que ainda há muito tempo para se arrepender.

Por isso, devemos nos preparar continuamente, com conversão sincera e perseverança até o fim.

Sagrada Escritura

  • “Está estabelecido que os homens morram uma só vez e depois venha o julgamento.” (Hb 9,27)

  • “Estai preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.” (Mt 24,44)

Catecismo da Igreja Católica

  • “Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna, a partir de sua morte, em um juízo particular que refere sua vida a Cristo: ou passa por uma purificação, ou entra imediatamente na bem-aventurança do céu, ou se condena imediatamente para sempre.” (CIC, 1022)

Juízo final ou universal: suas razões e em que momento ocorrerá

No fim do mundo, haverá a ressurreição da carne e o juízo universal. A sentença do juízo particular não será alterada, mas será manifestada publicamente diante de todos, para glória de Deus.

Razões do juízo universal:

  • Manifestar a glória de Deus e a perfeição do Seu governo sobre o mundo.

  • Manifestar a glória de Cristo, que foi injustamente condenado, mas se mostrará como Juiz supremo.

  • Manifestar a glória dos santos, muitas vezes desprezados nesta vida.

  • Confundir os maus, que terão suas obras reveladas diante de todos.

No juízo universal tudo será revelado. Até os pecados perdoados dos justos aparecerão, mas como motivo de maior glória à misericórdia de Deus.

Sagrada Escritura

  • “Quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os anjos com ele, sentar-se-á no trono da sua glória. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” (Mt 25,31-32)

  • “Nada há de escondido que não venha a ser revelado, nada de oculto que não venha a ser conhecido.” (Lc 12,2)

Catecismo da Igreja Católica

  • “A ressurreição de todos os mortos, ‘dos justos e dos injustos’ (At 24,15), precederá o juízo final. Será a hora em que todos os homens comparecerão diante de Cristo Senhor para lhe dar conta de sua própria vida.” (CIC, 1038)

  • “No juízo final, o Cristo voltará em sua glória, e será manifestada a verdade da relação de cada homem com Deus. O juízo final revelará até suas últimas consequências o que cada um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrena.” (CIC, 1039)

Redondilha de Luís de Camões

O poeta expressa em forma de redondilha a aparente prosperidade dos maus e o sofrimento dos bons nesta vida, que só se esclarece no juízo final:

“Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado;
assim que só para mim
anda o mundo concertado.”

Este poema ajuda a entender que as aparências da vida presente não revelam a justiça plena, mas no juízo universal será manifestada a verdade de cada um.

Sagrada Escritura

  • “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem invejes os que praticam a iniquidade. Pois cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura.” (Sl 37,1-2)

Catecismo da Igreja Católica

  • “O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma do Juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo que passa. Então, virá na sua glória Cristo, o Juiz dos vivos e dos mortos.” (CIC, 677)

Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, em tudo igual ao Pai e ao Filho: verdadeiro Deus.
O Pai não procede de ninguém, o Filho é gerado pelo Pai desde toda a eternidade, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
A distinção das Pessoas divinas se dá justamente pelas suas relações:

  • Pai: não procede de ninguém.

  • Filho: gerado pelo Pai.

  • Espírito Santo: procede do Pai e do Filho.

A Igreja sempre ensinou esta verdade. A negação do Filioque (processão do Espírito Santo também do Filho) leva a destruir toda a teologia da Trindade.

Sagrada Escritura

  • “Quando vier o Paráclito, que eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim.” (Jo 15,26)

  • “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados.” (Jo 20,22-23)

Catecismo da Igreja Católica

  • “O Espírito Santo é, com o Pai e o Filho, um só Deus. Ele procede do Pai e do Filho, é adorado e glorificado com o Pai e o Filho.” (CIC, 685-686)

  • “O Espírito Santo, que o Filho envia do Pai, é o Espírito do Pai e do Filho, consubstancial a ambos, inseparável deles, tanto na vida íntima da Trindade quanto no dom do amor.” (CIC, 246-248)

Descida sobre os apóstolos. Por que sob a forma de línguas de fogo?

No dia de Pentecostes, cinquenta dias após a Ressurreição e dez após a Ascensão, os apóstolos e a Virgem Maria estavam reunidos no Cenáculo, em oração. Foi a primeira novena da Igreja.
Então, o Espírito Santo desceu sobre eles em forma de línguas de fogo.

O fogo simboliza duas realidades:

  • Luz: iluminação da inteligência, que dá compreensão profunda dos mistérios da fé.

  • Calor: a caridade, amor ardente a Deus e ao próximo, que impulsiona ao apostolado.

Os apóstolos, antes temerosos, saíram cheios de coragem e sabedoria, pregando com eficácia e até entregando suas vidas pelo Evangelho.

Sagrada Escritura

  • “Apareceram-lhes línguas como de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia.” (At 2,3-4)

  • “Eu vim lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49)

Catecismo da Igreja Católica

  • “No dia de Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se, dá-se e comunica-se como Pessoa divina. Enche os apóstolos e transforma a Igreja em missão.” (CIC, 731-732)

Espírito Santo como a alma da Igreja, Corpo Místico de Cristo

O Espírito Santo é chamado de alma da Igreja, porque é Ele quem dá vida ao Corpo Místico de Cristo.
É o Espírito que distribui graças, carismas e dons, fortalece na fé e garante a infalibilidade da Igreja em certas condições.
Sem o Espírito Santo, a Igreja seria apenas uma instituição humana; com Ele, é o Sacramento da salvação, esposa de Cristo, santa e imaculada.

Sagrada Escritura

  • “Pois, assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. Pois em um só Espírito fomos todos batizados para formar um só corpo.” (1Cor 12,12-13)

Catecismo da Igreja Católica

  • “O Espírito Santo é como a alma do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. É Ele quem edifica, anima e santifica a Igreja.” (CIC, 797-798)

  • “Pela missão do Espírito Santo, a Igreja é o templo do Deus vivo.” (CIC, 809)