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Dias preparatórios · exercício 9

Dia 9: A mortificação universal

Ordenar sentidos, imaginação e vontade por renúncias prudentes, sem excessos e conforme os deveres do próprio estado.

Formação em vídeo

Vídeo do Dia 9

Assista às orientações desta etapa e à meditação do Pe. Eryc dos Santos, IBP, no canal Missa Tridentina em Brasília. Depois, continue com os textos e as orações desta página.

Em poucas palavras

Ordenar sentidos, imaginação e vontade por renúncias prudentes, sem excessos e conforme os deveres do próprio estado.

Para meditar

  1. Mortificar é dizer não ao desordenado para dizer sim ao amor.
  2. Pequenas fidelidades costumam ser mais fecundas que gestos imprudentes.
  3. Cristo acalma a desordem interior quando é acolhido com fé.

Leituras do dia

Mateus 8,1-27Imitação de Cristo, livro I, cap. 18

Os textos completos estão disponíveis logo abaixo.

Leitura e meditação

Abra as leituras deste dia

Leia devagar. Quando uma frase tocar o coração, pare, converse com Deus e transforme a luz recebida num propósito concreto.

Sagrada EscrituraMateus 8,1–27Abrir leitura

1E depois que Jesus desceu do monte, foi muita a gente do povo que o seguiu:

2E eis-que vindo um leproso, o adorava, dizendo: Se tu queres, Senhor, bem me podes limpar.

3E Jesus estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Pois eu quero. Fica limpo. E logo ficou limpa tôda a sua lepra.

4Então lhe disse Jesus: Vê não o digas a alguém: Mas vai, mostra-te ao sacerdote, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a êles.

5Tendo porém entrado em Cafarnaum, chegou-se a êle um centurião, fazendo-lhe esta súplica,

6e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa doente de uma paralisia, e padece muito com ela.

7Respondeu-lhe então Jesus: Eu irei, e o curarei.

8E respondendo o centurião, disse: Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa: Porém manda-o só com a tua palavra, e o meu criado será salvo.

9Pois também eu sou homem sujeito a outro, que tenho soldados às minhas ordens e digo a um: Vai acolá, e êle vai: E a outro: Vem cá, e êle vem: E ao meu servo: Faze isto, e êle o faz.

10E Jesus, ouvindo-o assim falar, admirou-se, e disse para os que o seguiam: Em verdade vos afirmo, que não achei tamanha fé em Israel.

11Digo-vos, porém, que virão muitos do Oriente, e do Ocidente, e que terão lugar com Abraão, e Isaac e Jacó no reino dos Céus.

12Mas que os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: Ali haverá chôro, e ranger de dentes.

13Então disse Jesus ao centurião: Vai, e faça-se-te segundo tu crêste. E naquela mesma hora ficou são o criado.

14E tendo chegado Jesus à casa de Pedro, viu que a sogra dêle estava de cama, e com febre:

15E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou, e ela se levantou, e se pôs a servi-los.

16Sôbre a tarde porém lhe puseram diante muitos endemoninhados: E êle com a sua palavra expelia os espíritos: E curou todos os enfermos:

17Para se cumprir o que estava anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Êle mesmo tomou as nossas enfermidades: E carregou com as nossas doenças.

18Ora vendo-se Jesus rodeado de muito povo, mandou-lhes que passassem para a banda dalém do lago.

19Então chegando-se a êle um escriba, lhe disse: Mestre, eu seguir-te-ei para onde quer que fôres.

20Ao que Jesus lhe respondeu: As rapôsas têm covas, e as aves do Céu, ninhos: Porém o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

21E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro a enterrar meu pai.

22Mas Jesus lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.

23E entrando êle numa barca, o seguiram seus discípulos:

24E eis-que sobreveio no mar uma grande tempestade, de modo que a barca se cobria das ondas, e entretanto êle dormia.

25Então se chegaram a êle seus discípulos, e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.

26E Jesus lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? E levantando-se, pôs preceito ao mar, e aos ventos, e logo se seguiu uma grande bonança.

27E os homens se admiraram, dizendo: Quem é êste que os ventos e o mar lhe obedecem?

Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público)
Leitura espiritualImitação de Cristo, livro I, cap. 18Abrir leitura

Capítulo 18

Os exemplos dos antigos padres do deserto.

Pense nos esplendorosos exemplos daqueles padres cujas vidas foram um espelho da verdadeira perfeição e da regularidade e você verá o quão pouco é o que fazemos e o que é quase nada. Infelizmente, o que é nossa vida, se a compararmos com as deles? Os santos e os amigos de Jesus Cristo serviram Deus na fome e na sede, no frio e na nudez, no trabalho e no cansaço, nas vigílias e nos jejuns, nas preces e nas santas meditações, nas perseguições e nas humilhações.

Oh, quem pode dizer o número e a grandeza das tribulações que sofreram os Apóstolos, os Mártires, os confessores, as virgens e todos aqueles que quiseram seguir os passos de Jesus Cristo! Eles odiaram suas almas neste mundo, para conservá-la para a vida eterna14. Oh, que vida estrita, que vida de renúncia foram aquelas dos santos Padres do Deserto! Que longas e duras provações eles sofreram! Quantas vezes eles foram atormentados pelo inimigo! Que frequentes e fervorosas pre-

João 12: 25.

ces eles ofereceram a Deus! Que frequentes abstinências eles praticaram a cada dia! Que zelo e ardor eles tiveram para o avanço espiritual deles! Que guerra magnânima eles sustentaram contra seus vícios para domá-los! Que pura e reta intenção eles mantiveram no serviço a Deus! Eles trabalhavam durante o dia e durante as noites eles se dedicavam a uma longa oração. Até mesmo durante o trabalho, eles não cessavam de conversar em espírito com Deus.

Eles empregavam utilmente todo o tempo deles. Todas as horas lhes pareciam curtas para dedicar a Deus e, no excesso das doçuras da contemplação, eles esqueciam a necessidade da refeição física. Eles renunciaram a tudo: às riquezas, às dignidades, às honrarias, aos amigos, aos parentes. Eles não queriam nada do mundo. Eles mal mantinham o necessário para sobreviver. Ocupar-se com seus corpos, mesmo na necessidade, era para eles uma dor. Eles eram então pobres das coisas da terra, mas ricos grandemente em graça e em virtudes. Necessitados e

despojados externamente, mas abundantemente nutridos pela graça e a consolação divinas.

Eles eram estranhos ao mundo, mas eram vizinhos de Deus e seus familiares amigos. Aos olhos deles, eles não passavam de um puro nada e, para o mundo, um objeto de desprezo, mas, eram preciosos aos olhos de Deus e amados por ele. Eles se mantinham na verdadeira humildade, viviam em uma obediência simples, caminhavam no amor e na paciência e, por isto, avançavam a cada dia em espírito e se tornavam mais agradáveis a Deus. Eles foram dados como exemplos para todos os religiosos e eles devem nos estimular bem mais ao avanço espiritual do que o grande número de tíbios nos estimula ao relaxamento.

Oh, que grande fervor em todos os religiosos no início de sua santa instituição! Oh, que amor de oração! Que emulação para a virtude! Que esforço para a virtude! Que

vigor na disciplina! Que respeito e que obediência sob a regra do fundador! O que nos resta deles atesta ainda que foram pessoas realmente santas e perfeitas, que, ao combaterem generosamente, espezinharam o mundo. Hoje em dia, considera-se como muita coisa um religioso não transgredir sua regra e suportar com paciência o jugo ao qual ele está submetido. Ó tibieza, ó negligência do nosso estado que nos faz logo degenerar do nosso fervor primitivo! Chegamos a um grau tal de exaustão e de tibieza que a vida se tornou um aborrecimento para nós. Queira o céu que você não deixe adormecer inteiramente em você o desejo de avançar na virtude, depois de ter tantas vezes visto os exemplos de tantas pessoas que são verdadeiros modelos de fervor!

Tomás de Kempis; tradução de E. L. de Souza Campos, 2023 — reprodução autorizada com citação da fonte

Exame do coração

  • Qual hábito tira minha paz e atenção?
  • Minha penitência me torna mais caridoso?
Propósito concreto

Modere hoje um uso de tela, alimento ou conversa que costuma dominar você.

Orações de cada etapa

Abra e reze sem sair da página

O manual indica as orações conforme a etapa. Nos doze dias iniciais, apresenta como prática possível o Veni Creator e o Ave Maris Stella.

Veni Creator Spiritus — todos os períodosAbrir oração

Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos vossos fiéis e enchei de graça celestial os corações que criastes.

Sois chamado Paráclito, dom do Deus Altíssimo, fonte viva, fogo, caridade e unção espiritual. Derramai sobre nós os vossos sete dons; iluminai nossos sentidos, infundi amor em nossos corações e fortalecei nossa fraqueza.

Repeli o inimigo para longe, dai-nos prontamente a paz e, guiados por vós, evitemos todo mal. Fazei-nos conhecer o Pai e o Filho e crer sempre em vós, que procedeis de ambos. Amém.

Ave Maris Stella — todos os períodosAbrir oração

Salve, Estrela do mar, santa Mãe de Deus, sempre Virgem, feliz porta do céu. Recebendo aquele Ave dos lábios de Gabriel, firmai-nos na paz, mudando o nome de Eva.

Quebrai as cadeias dos pecadores, dai luz aos cegos, afastai nossos males e alcançai-nos todos os bens. Mostrai que sois Mãe; receba por vós nossas preces aquele que, nascendo por nós, quis ser vosso Filho.

Virgem singular, mansa entre todas, fazei-nos, livres das culpas, mansos e castos. Concedei-nos vida pura, preparai-nos caminho seguro, para que, vendo Jesus, sempre nos alegremos. Amém.